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Irã planeja iniciar enriquecimento nuclear, diz AIEA | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O chefe da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Mohammed El-Baradei, afirmou nesta terça-feira que o Irã tem planos para iniciar enriquecimento de urânio em pequena escala, ignorando esforços internacionais para manter uma suspensão do programa nuclear do país. A declaração de El-Baradei foi feita depois do governo do Irã ter quebrado os lacres da AIEA e reaberto a unidade de pesquisas sobre enriquecimento de urânio de Natanz e em outros dois locais. O rompimento dos lacres, feito sob a supervisão de inspetores da AIEA, encerrou um acordo que durava dois anos entre o país e a agência da ONU, que previa a suspensão de pesquisas nessas área. Segundo o governo do Irã, o país fechou um acordo com a agência para a retirada supervisionada dos lacres, o que foi confirmado por representantes da organização. No entanto, nenhum dos dois lados deixou claro exatamente o que foi acertado nem que tipo de pesquisa o país levará adiante na planta de Natanz. Estados Unidos A medida gerou críticas dos Estados Unidos, que temem que o programa nuclear do Irã possa ser usado para a fabricação de bombas atômicas. O governo iraniano nega a acusação, afirmando que quer apenas produzir energia. Depois da reabertura da unidade de pesquisa em Natanz, a Casa Branca afirmou que o Irã está se arriscando a criar "um grave aumento" nas discussões internacionais a respeito de seu programa nuclear, ao reabrir a unidade. Um porta-voz em Washington disse que a comunidade internacional não terá escolha senão remeter o governo iraniano para o Conselho de Segurança da ONU, para possíveis sanções. O ministro do Exterior britânico, Jack Straw, também divulgou uma declaração condenando a decisão iraniana, afirmando que a reabertura de Natanz é "outra violação das resoluções da diretoria da AIEA, e também do Acordo de Paris, que o Irã assinou junto com a Grã-Bretanha, França e Alemanha, em novembro de 2004". "Não há uma boa razão para o Irã ter tomado esta medida se suas intenções são realmente pacíficas e se o país queria apaziguar as preocupações internacionais", disse Straw. "Preocupante" Apesar de o processo estar ocorrendo sob a supervisão da AIEA, a própria agência ainda mantém a postura de que o ideal é que o país simplesmente abandone suas pretensões de pesquisa na área de enriquecimento de urânio. Na segunda-feira, o chefe da agência, Mohamed El Baradei, afirmou que o mundo está "perdendo a paciência com o Irã". A porta-voz de Javier Solana, chefe de Política Internacional da União Européia, disse que a ação de Teerã está sendo considerada uma “violação” de acordos firmados com o país. “Esse foi um passo na direção errada”, disse Cristina Gallach, a porta-voz de Solana. O presidente francês, Jacques Chirac, afirmou que o Irã, assim como a Coréia do Norte, tem o direito de explorar combustíveis nucleares para fins pacíficos. A Rússia classificou a informação com “preocupante”, mesma posição oficial de Washington. Países membros do Conselho de Segurança estudam a possibilidade de propor sanções como uma forma de paralisar a continuidade do programa. O governo iraniano insiste que está retomando apenas atividades de pesquisa, mas os países ocidentais vinham exigindo há meses na suspensão de todas as atividades nucleares no país. Desunião As autoridades de Teerã não esclareceram que tipo de pesquisa pretendem realizar em Natanz. Em tese, o governo iraniano poderia tanto testar apenas algumas centrífugas como produzir pequenas quantidades de combustível nuclear em laboratório. O Irã já tinha retomado a conversão de urânio, um dos primeiros estágios da produção de combustível nuclear, em agosto, depois que as negociações com a União Européia chegaram a um impasse. Teme-se que o país esteja cada vez mais próximo de poder fabricar uma bomba nuclear. A única etapa que faltaria é o processo de enriquecimento de urânio. Em setembro, a direção da AIEA chegou a ameaçar levar o Irã ao Conselho de Segurança e pedir sanções. Analistas dizem que o Irã vem conseguindo enfrentar a resistência contra o seu programa nuclear graças à desunião da comunidade internacional, que não consegue chegar a um acordo sobre o tom a ser adotado nas negociações com o país. Por outro lado, os iranianos têm a seu favor o fato que uma intervenção militar no país é bastante improvável enquanto a situação no Iraque permanecer instável. |
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