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Derrame enfraquece novo partido de Sharon | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A conseqüência política imediata do derrame cerebral sofrido pelo primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, será o enfraquecimento de seu novo partido, o Kadima, criado há menos de um mês para concorrer nas próximas eleições gerais do país, no início do ano que vem. Essa é a avaliação de analistas políticos e especialistas em pesquisa de opinião israelenses ouvidos pela BBC Brasil. Eles dizem, porém, que esse efeito de curto prazo pode ser irrelevante, caso Sharon demonstre que sua saúde não afeta o cumprimento de suas obrigações como primeiro-ministro. Para o professor Shmuel Sandler, pesquisador do Centro Begin-Sadat de Estudos Estratégicos, da Universidade Bar Ilan, em Tel Aviv, o Kadima é visto como um "partido de um homem só", no qual a figura de Sharon é central e ofusca quase que totalmente os outros integrantes. 'Primeira linha' Com Sharon debilitado por problemas de saúde, o partido perderia prestígio a curto prazo e, mais importante, intenções de voto nas eleições de 28 de março. "Os eleitores vão pensar duas vezes antes de votar num candidato com problemas de saúde e que pode deixar o país na mão de uma hora para a outra", diz Sandler. "E, como o Kadima é totalmente identificado com Sharon, o partido perde terreno." Segundo Sandler, se o Kadima quiser sobreviver a essa crise, terá que começar a fortalecer o nome da "equipe de primeira linha" do partido, como o ministro das Finanças e vice-primeiro-ministro, Ehud Olmert, a ministra da Justiça, Tzipi Livni, e o ministro da Defesa, Shaul Mofaz. Analistas políticos ouvidos pelas principais rádios israelenses chegaram a levantar a possibilidade de o incidente vascular de Sharon despertar empatia dos eleitores. Sandler não acredita que isso aconteça, pois os eleitores "não vão votar para eleger um avô e sim para definir o futuro do país". Para Rafi Smith, dono do Instituto Smith de Pesquisas de Opinião, ainda é cedo para medir a reação dos israelenses ao derrame cerebral de Sharon, principalmente no que tange o comportamento político do público a longo prazo. "Tudo vai depender da imagem de Sharon daqui em diante. Acredito que, nos próximos dias, o número de indecisos aumente, já que as pessoas vão esperar para ver como o primeiro-ministro se comporta", disse Smith. Herdeiros Para o pesquisador, caso o Kadima perca votos, eles devem migrar principalmente para o Likud, o partido abandonado por Sharon há um mês depois de desentendimentos ligados à política do primeiro-ministro de retirada de assentamentos e sua posição em relação à criação de um futuro Estado Palestino. Afinal, foi do Likud que saíram partidários de Sharon quando ele fundou o Kadima, em novembro. Outra legenda que pode herdar votos é o Shinui, o partido laico de centro que apóia as negociações de paz com os palestinos enquanto despreza a influência dos religiosos ortodoxos na vida nacional. O Partido Trabalhista, de centro-esquerda, do ex-líder sindical Amir Peretz, também pode sair ganhando. De acordo com as mais recentes pesquisas eleitorais, feitas antes da internação de Sharon, o Kadima asseguraria entre 39 e 40 cadeiras das 120 do Knesset (o Parlamento israelense). Em segundo lugar ficaria o Partido Trabalhista, com cerca de 25 cadeiras. O Likud receberia menos de 15 assentos no Knesset. Para o professor Shlomo Avineri, da Universidade Hebraica de Jerusalém, qualquer especulação política no momento seria irresponsável. Segundo Avineri, a doença do primeiro-ministro não revelou nada de novo. Afinal de contas, todos sabiam que Ariel Sharon é um homem idoso, a mercê dos contratempos naturais de uma pessoa de 77 anos. O que mudou com o derrame cerebral foi a percepção do líder enquanto uma figura "forte e estável". "Mesmo assim, para quem apóia Sharon, pode ser mais negócio ficar com 98% de Sharon do que com 100% de algum outro político. |
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