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Repercussão de eleição será menor do que EUA gostariam | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em 2002, cinco meses antes de as forças americanas e britânicas invadirem o Iraque, entrevistei um dos principais arquitetos dos Estados Unidos da estratégia para a mudança de regime. Ele me deu uma longa lista de benefícios esperados. Os efeitos seriam sentidos em toda a região, disse ele. Governos autoritários desabariam e seriam substituídos por democracias. "Aconteceu no Leste da Europa", disse o entrevistado. "Por que não no Oriente Médio?" Quando mencionei as diferenças, ele me acusou de sugerir que os árabes são, de alguma forma, inferiores aos europeus. Atualmente, aqueles em Washington que pediram ao presidente Bush que invadisse o Iraque estão acirradamente na defensiva. Este entrevistado em especial não fala mais publicamente sobre o assunto, nem para defender a invasão. Violência Em meados deste ano, me lembrei dele quando parecia que haveria, no final das contas, um efeito dominó com a queda de Saddam Hussein. Grandes manifestações no Líbano exigiam a saída das forças de ocupação da Síria, que deixaram o país. Agora o próprio governo sírio parece inseguro, na medida em que as acusações de seu envolvimento numa campanha de assassinatos no Líbano ganham força. Países como a Arábia Saudita e o Egito finalmente vivem processos de eleições mais livres. Mas nada disso é remotamente como o equivalente no Oriente Médio ao que ocorreu no Leste da Europa em 1989. A opinião pública em todo o mundo islâmico ainda está profundamente ofendida com a forma como americanos e britânicos marcharam sobre o Iraque sem apoio internacional forte. O efeito dominó, ao invés disso, foi a violência de radicais islâmicos. A Jordânia foi afetada e, em menor grau, a Síria. Em determinado momento, os veteranos endurecidos pelas batalhas de Ramadi e Falluja irão para outro lugar, assim como se transferiram do Afeganistão e da Chechênia. Agora há muitos mais, e eles têm um apoio popular maior. Um país, contudo, beneficiou-se muito da invasão liderada pelos Estados Unidos: o Irã. O país, cada vez mais radicalizado, agora sabe que os Estados Unidos têm falta tanto de força militar como de vontade política para atacá-lo. E o novo, democrático e predominantemente xiita Iraque se tornou seu aliado mais próximo. Nada disso é o que o entrevistado em Washington esperava em 2002. Saída Agora há um importante benefício. Ele foi resumido para mim por uma figura política influente no Iraque, um iraquiano xiita que já esteve exilado no Ocidente. O melhor momento de sua vida, diz ele, foi quando viu Saddam Hussein entrar no tribunal onde é julgado por crimes cometidos durante o seu regime. Mas certamente ele não é pró-americano. "Seus soldados nos tratam como seres inferiores, eles atiram em nossos carros, gritam, e nos matam porque não entendemos o que dizem." Então foi bom ou não que eles tivessem vindo aqui? "Ambos", diz ele sem graça. Tudo o que os iraquianos podem fazer é começar do zero, não importa como chegaram a este ponto. Eles têm a chance de eleger um governo realmente democrático. E esta eleição provocará menos divisões e danos do que a última, ocorrida em janeiro. Os políticos iraquianos já parecem sentir que os Estados Unidos estão cada vez mais irrelevantes. Não é o que o presidente Bush e seus assessores pretendiam quando vieram aqui. Mas pode ser a melhor saída agora. |
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