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Atualizado às: 06 de novembro, 2005 - 00h50 GMT (22h50 Brasília)
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Bush chega a Brasília em meio a intensa segurança

Manifestante observa grafiti com mensagem anti-Bush.
Para Casa Branca, país é exemplo positivo na região onde liderança de Chávez preocupa.
O presidente americano, George W. Bush, desembarcou em Brasília, na noite deste sábado, para uma visita de menos de 24 horas, pouco depois de participar da Cúpula das Américas, em Mar del Plata, na Argentina.

A chegada de Bush foi cercada por um fortíssimo esquema de segurança coordenado por autoridades americanas e brasileiras, que isolaram diversas áreas de Brasília por onde o presidente dos Estados Unidos deveria passar.

Além de um monitoramento do espaço aéreo de Brasília, a operação de segurança conta com 500 agentes, metade dos serviços de inteligência e segurança dos Estados Unidos e metade da Polícia Federal brasileira.

Na manhã deste domingo, Bush reuniu-se com Lula e almoça na Granja do Torto. No final da tarde, o presidente americano deixa o país e segue para uma visita oficial ao Panamá.

Desde sexta-feira, a UNE, a CUT, o MST e outros grupos integrantes da Coordenação dos Movimentos Sociais têm organizado uma série de protestos nas principais capitais do país contra a política externa americana.

Diálogo

Para os Estados Unidos, a viagem ao Brasil é uma oportunidade de criar com o país um canal de diálogo com a América do Sul.

A região ocupa uma posição pouco privilegiada na lista de prioridades da Casa Branca, mas uma das preocupações do governo Bush é evitar que líderes como o venezuelano Hugo Chávez sirvam de modelo para os sul-americanos.

"O Brasil está em uma posição muito interessante", afirma o cientista político boliviano Eduardo Gamarra, diretor do Centro para a América Latina e o Caribe da Universidade Internacional da Flórida, nos Estados Unidos.

"O Brasil pode ser uma versão mais civilizada da esquerda latino-americana, uma esquerda com a qual os Estados Unidos podem ter relações ótimas".

Poucos dias antes de chegar a Brasília, o próprio Bush declarou, em entrevista a jornalistas latinos, que o presidente Lula "ocupa uma posição única" na região e é "vital" para a consolidação da democracia na América Latina.

Na semana passada, outros funcionários do governo americano adotaram o mesmo tom ao comentar a visita de Bush. Em Brasília, o embaixador John Danilovich disse que é interesse do Brasil "manter e fortalecer a democracia e o comércio no hemisfério".

Em Washington, o subsecretário de Estado americano para a região, Tom Shannon, disse que o Brasil compartilha uma série de valores comuns aos Estados Unidos e, por isso, os dois países têm a oportunidade de trabalhar juntos em determinadas áreas.

Interesses

"O Brasil é o país que mais vai afetar a agenda dos Estados Unidos na América Latina", afirma Peter Hakim, presidente do instituto Diálogo Interamericano, em Washington.

O motivo, de acordo com Hakim, é o papel que o Brasil desempenha nas reuniões internacionais para a liberalização do comércio, seja nas negociações para a criação da Alca ou como um dos líderes do G-20 – bloco de países em desenvolvimento que cobra uma redução dos subsídios agrícolas das nações industrializadas.

"É importante que Brasil e Estados Unidos tenham um certo nível de entendimento, que possam consultar um ao outro, que mostrem respeito um ao outro e que tolerem as diferenças", diz Hakim. "Isso é fundamental para a agenda dos Estados Unidos na América Latina."

Na opinião do cientista político Thomaz Guedes da Costa, professor da Universidade Nacional de Defesa, em Washington, o que move a aproximação de Bush e Lula são os interesses em comum dos dois governos.

"Não é uma questão de amizade, é uma questão de interesses concretos", comenta o professor. "Há um conjunto muito grande de interesses que faz com que os dois países se aproximem, e com repercussões políticas importantes."

Bolívia

O boliviano Eduardo Gamarra concorda com a opinião de Thomaz Costa, e cita a Bolívia como um exemplo dos interesses convergentes que aproximam Brasil e Estados Unidos.

Para Gamarra, o Brasil tem grande interesse em uma Bolívia estável, que não interrompa as exportações de gás natural para São Paulo, e teme que conflitos políticos no país ameacem os negócios da Petrobrás na Bolívia.

Até o final de 2006, mais de dez eleições presidenciais serão realizadas na América Latina, inclusive em países como Brasil, México, Chile, Bolívia e Equador.

A perspectiva de vitória de líderes de esquerda é grande em boa parte desses países, e o que mais incomoda os Estados Unidos é a situação na Bolívia, onde o líder cocaleiro Evo Morales é um dos principais candidatos.

"Se Evo Morales ganha na Bolívia, vai ser muito mais complicado para Estados Unidos e Brasil", avalia Gamarra. "Os interesses de Estados Unidos e Brasil coincidem porque, sendo um país grande com interesses estratégicos na Bolívia, o Brasil tem que atuar da mesma maneira que os Estados Unidos atuariam no caso de um vizinho."

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