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Atualizado às: 25 de novembro, 2005 - 05h19 GMT (03h19 Brasília)
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Nômades preservam estilo de vida na China moderna

Younden Phunstok
Younden: 'época mais feliz da minha vida'
Ao contrário de várias populações nômades ao redor do mundo, muitos tibetanos drokpas no oeste da província chinesa de Sichuan encontram meios de se inserir na economia da China moderna ao mesmo tempo em que preservam seu estilo de vida.

"A vida dos nômades hoje em dia é muito melhor do que era antes", diz à BBC Brasil Younden Phunstok, 29 anos, habitante do vilarejo de Tagong.

"Eles têm acesso a equipamentos modernos para produzir manteiga, por exemplo, que é vendida nas vilas."

"Existe um equilíbrio, um precisa do outro. Os nômades produzem carne e laticínios e as vilas, vegetais."

Padrões diferentes

Há tempos, essa remota região de Sichuan é considerada pelos chineses como o "oeste selvagem".

Apesar de ser oficialmente China, a etnia da área é predominantemente tibetana, e o idioma chinês (mandarim) é falado com relutância.

A região faz fronteira com o Tibete

Aqui, é possível percorrer os vários quilômetros que separam os vilarejos cruzando verdes vales cortados por rios, sem se ver pessoa nenhuma, apenas as tendas negras dos nômades e seus rebanhos de yaks (os largos bovinos cobertos de pelos que habitam o platô tibetano).

De certa forma, o estilo de vida nômade é algo ligado ao vigor da juventude.

Younden foi um deles até os 19 anos de idade. Há dez anos foi morar em Tagong para cuidar da mãe, que "estava envelhecendo e não suportava mais este estilo de vida".

Ele então teve acesso a educação – fala inglês – mas, mesmo assim, se diz ansioso para voltar à vida nas tendas.

"Apesar de sermos pobres e a vida ser dura para os padrões de outras pessoas, foi a época mais feliz da minha vida", diz ele.

Qualidade de vida

De Tagong, se alcança o alto das montanhas após um trajeto de pouco mais de uma hora, feito a cavalo. Lá, encontramos uma amiga de infância de Younden, Pema Chodje, de 29 anos.

Morando sozinha em sua tenda, feita inteiramente do pelos de yaks, ela reluta em trocar a liberdade das montanhas pela vida na cidade.

"Há dois anos, meu marido me abandonou, tive que vender a maioria de meus yaks (ficou apenas com três animais) já que não podia cuidar sozinha de muitos e enviei meus dois filhos pequenos para morar com minha mãe na cidade", diz ela.

"Mas prefiro morar nas montanhas, é mais quieto."

Há poucos metros da tenda de Pema, Rinchen Dorje, 26 anos, nos dá uma mostra da hospitalidade dos nômades nos oferecendo a tsampa, a tradicional comida feita a base de chá de leite de yak, manteiga e barley.

Ele adotou este estilo de vida após se casar com uma nômade. O casal, considerado abastado para os padrões nômades, agora cuida de seu rebanho de 80 yaks.

"Há quatro anos, deixei de ser fazendeiro para me tornar nômade", diz ele.

"A qualidade de vida é muito melhor, tenho muito menos obrigações."

Turismo

Durante o ano, os nômades costumam armar seus acampamentos entre três e oito lugares diferentes.

No inverno, quando a grossa camada de neve torna impossível para os animais encontrar pastagens nas montanhas, eles descem para as cidades.

Muitos deles então usam acomodações construídas pelo governo, localizadas nos arredores dos vilarejos.

Outro elemento de modernização que passou a fazer parte da vida dos nômades é o turismo.

"Gosto quando vem pessoas aqui me visitar, conversar e não apenas tirar fotografia", diz Rinchen.

"Por muito tempo, os chineses diziam que éramos atrasados e sujos, mas hoje em dia alguns deles mostram real interesse em nossa cultura", diz Younden.

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