|
Aprovação da Carta é um passo, não o objetivo final | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A maioria que aprovou a Constituição iraquiana parece impressionante – 78,59% contra 21,41% –, mas os resultados escondem uma forte votação contrária da população sunita que não ficou longe de barrar a nova Carta. No final, os sunitas tiveram dois terços de votos negativos em duas províncias – Salahuddin e Anbar –, mas uma maioria de apenas 55% em uma terceira, Nineveh. Eles precisavam de dois terços em três províncias para bloquear a Constituição. A aprovação foi conseguida, portanto, pelos maiores grupos populacionais, os xiitas e os curdos. Ambos são beneficiados pelo documento, conseguindo governos regionais com um alto grau de autonomia e acesso exclusivo aos futuros campos de petróleo. A atual produção poderia ainda ser dividida entre todas as províncias. Pelo menos desta vez, muitos dos sunitas votaram, em lugar de sua recusa em fazê-lo nas eleições para a atual Assembléia de Transição em janeiro. Nesta medida pode-se dizer que eles se integraram no processo político, apesar de sua atitude negativa para a Constituição na qual suas perspectivas não são boas. Eleições O resultado do referendo abre o caminho para eleições até 15 de dezembro para um governo constitucional com um mandato de quatro anos. Porém o resultado não significa o começo de um processo político normal no Iraque. É um marco no caminho, mas não o objetivo final. O ex-representante britânico na Autoridade da Coalizão, Jeremy Greenstock, enfatizou a necessidade de os sunitas serem incluídos nas eleições de dezembro e depois na Assembléia Nacional. No momento, eles estão sub-representados porque boicotaram as eleições de janeiro. "É excelente ver o Iraque passar com sucesso por esse estágio instável. É uma Constituição extraordinária para essa região, e os resultados mostram o quão dispostos estão os iraquianos a chegar ao próximo estágio", disse ele à BBC. "Mas a forte votação sunita contra o acordo mostra que muito mais negociações são necessárias. As três comunidades precisam caminhar adiante juntas. Todos concordaram em seguir discutindo como garantir a participação sunita nas eleições de dezembro e a representação correta na nova Assembléia Nacional." Força da insurgência E claramente todo o tempo, ameaçando o progresso político, há a força da insurgência. Apenas na segunda-feira três grandes bombas explodiram no coração de Bagdá, do lado de fora dos hotéis usados por funcionários e jornalistas estrangeiros. Essa foi uma clara demonstração de oposição ao processo constitucional. Se a política terá qualquer efeito sobre os rebeldes ainda é algo a ser verificado. Os resultados funcionarão um pouco como um ânimo moral para o presidente americano, George W. Bush, que enfrenta a perspectiva iminente de ver as mortes de militares dos EUA no Iraque chegar a 2 mil. Por si só, esse número tem pouco significado. Sua importância é que representa uma crescente taxa de mortes que está cobrando seu preço na política doméstica, além do custo em vidas humanas no conflito. |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Referendo aprova a nova Constituição do Iraque25 de outubro, 2005 | Notícias Constituição é aprovada no Iraque com 78% dos votos25 de outubro, 2005 | Notícias Ataques a hotéis de Bagdá matam cerca de 20 pessoas24 outubro, 2005 | BBC Report Área sunita rejeita nova Constituição do Iraque22 de outubro, 2005 | Notícias Líder xiita 'apóia' reunião pela paz no Iraque, diz Moussa22 de outubro, 2005 | Notícias Advogado de aliado de Saddam é encontrado morto21 de outubro, 2005 | Notícias Jornalista seqüestrado no Iraque é libertado20 de outubro, 2005 | Notícias Julgamento de Saddam é adiado para novembro19 de outubro, 2005 | Notícias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||