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Atualizado às: 24 de outubro, 2005 - 15h35 GMT (12h35 Brasília)
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Para gerente da ONU no Brasil, corrupção demora a mudar

Lopes deixa o cargo no final deste mês. Foto: Página da ONU
Lopes deixa o cargo no final deste mês. Foto: Página da ONU
O representante da ONU no Brasil, Carlos Lopes, disse em entrevista à BBC Brasil que as instituições do país vivem um processo de amadurecimento com a atual crise política, mas avaliou que o combate à corrupção precisa de tempo para surtir efeito.

"Muitas das práticas políticas de corrupção que estão associadas a campanhas eleitorais e à forma como se faz política, que é um pouco clientelista, têm sido denunciadas ao longo do tempo", afirma Lopes.

"Mas é evidente que não se resolve essas questões de um dia para outro", acrescenta o funcionários das Nações Unidas. "O Brasil ainda está crescendo em termos de aperfeiçoar as suas instituições democráticas.

Nascido em Guiné-Bissau, o sociólogo Carlos Lopes vai deixar o cargo que ocupa há pouco mais de dois anos no Brasil ao final deste mês.

A partir de novembro, Lopes passará a se dedicar à função de assessor político do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em Nova York.

Sem ‘apontar o dedo’

Durante a entrevista, Lopes também procurou rejeitar qualquer relação entre as recentes declarações de Annan sobre a necessidade de combater a corrupção e os problemas que o Brasil enfrenta por conta da atual crise política.

Há pouco mais de uma semana, durante a Cúpula Ibero-americana, em Salamanca, na Espanha, o secretário-geral da ONU afirmou que a erradicação da pobreza passa necessariamente pelo combate à corrupção.

"O discurso do secretário-geral tem que ser lido no seu contexto", diz Lopes. "Não houve nenhuma referência a nenhum país. Houve, sim, uma referência de que a luta contra a pobreza não pode ser feita sem o combate à corrupção."

"Isso é algo muito oportuno o secretário-geral mencionar porque, na América Latina, existem muitos países que vivem situações várias de corrupção", acrescentou. "Não é apontar o dedo a ninguém, mas é reconhecer que há um problema na região."

De acordo com o representante da ONU no Brasil, o objetivo de Annan era alertar para a necessidade de que as novas gerações acreditem na democracia – o que só será possível, segundo Lopes, com o combate às práticas de corrupção.

Objetivos do Milênio

Na opinião de Carlos Lopes, até agora a crise política não afetou a realização de projetos sociais no Brasil, e a expectativa da ONU é de que essa tendência seja mantida.

"O Brasil viveu meses e meses de uma grande intensidade de debates sobre as questões da crise política, e seria relativamente tentador poder usar essas oportunidades para fazer desvios da política social", avalia o sociólogo.

"Mas isso não aconteceu", acrescenta. "Se houvesse tendências de implementação de políticas mais populistas ou práticas menos responsáveis na área econômica e social, isso já teria acontecido."

O representante da ONU no país também elogiou a maneira como o Brasil tem se empenhado em esforços para cumprir os Objetivos do Milênio – metas estabelecidas pelas Nações Unidas para reduzir a fome e a pobreza no mundo até 2015.

De acordo com Lopes, o Brasil se destaca principalmente pelos movimentos de responsabilidade social das empresas e pela grande participação de organizações da sociedade civil na campanha pelos Objetivos do Milênio.

Haiti e reforma da ONU

Ao comentar a partipação do Brasil na missão da ONU no Haiti, Carlos Lopes disse que o país precisa ter paciência porque "as operações de manutenção da paz bem-sucedidas são aquelas em que não existe muita pressa".

"O contexto histórico recente nos explica que o Haiti foi várias vezes o objeto de forças de manutenção da paz e, quando elas se retiraram, a situação voltou a receder, e a crise tomou corpo outra vez", afirma o sociólogo. "Dessa vez, não se pode cometer esse erro."

O novo assessor político de Kofi Annan disse ainda que a ONU está ciente de que seu papel é cobrar da comunidade internacional os recursos que foram prometidos ao Haiti e, até agora, ainda não foram liberados.

"Infelizmente, o que se passa no Haiti não é nenhuma exceção à regra de que, quando existem mesas redondas de doadores para reconstruir os países, existe sempre uma quantidade muito mais alta de promessas do que de recursos realmente transferidos", admite Lopes.

O sociólogo também reconheceu que os avanços realizados até agora nas discussões sobre a reforma da ONU foram "insuficientes" e que questões como a proliferação nuclear e a ampliação do Conselho de Segurança ainda estão "muito aquém das expectativas".

"O secretário-geral já denunciou em várias oportunidades o fato de que é inaceitável que a comunidade internacional não debata essas questões, até porque elas são fundamentais para nós podermos avançar em um mundo mais justo."

Carlos Lopes avalia que a grande tarefa da ONU nos próximos meses será avançar nessas discussões para que as reformas ocorram durante a vigência da 60ª Assembléia-Geral da ONU, que teve início em setembro e comemora os 60 anos de fundação da organização.

Para atingir esse objetivo, Lopes espera que as Nações Unidas aproveitem a mobilização que a ONU vai atrair nos próximos meses com o término do mandato de Kofi Annan e a nomeação de um novo secretário-geral.

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