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Governo Bush estuda opções na crise Síria | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O agravamento da crise síria é um teste crucial para saber até que ponto o governo Bush está disposto a trabalhar com a comunidade internacional no enquadramento do regime de Damasco. O governo de Bashar Assad está ainda mais acuado depois que uma comissão de inquérito das Nações Unidas divulgou seu primeiro relatório, na quinta-feira à noite, ressaltando ser provável que funcionários do alto escalão da Síria e do Líbano estejam implicados no assassinato do ex-primeiro ministro libanês Rafik Hariri, ocorrido em fevereiro passado. Este relatório era aguardado com ansiedade pelo governo Bush, mas as primeiras reações formais foram cautelosas. O embaixador americano nas Nações Unidas, John Bolton disse que as conclusões vão exigir "mais consultas na comunidade internacional". O relatório do promotor alemão Detlev Mehlis será debatido pelo Conselho de Segurança da ONU na terça-feira que vem. Multilateralista Na crise síria, existe uma disposição multilateralista do governo Bush, comumente acusado de pendores unilateralistas no cenário mundial. E ninguém é visto como mais representativo destes pendores do que o embaixador Bolton, cuja transferência para a ONU foi considerada por muitos como uma prova do desprezo americano pela instituição. Os desdobramentos da crise síria não seguem este figurino. O governo Bush tem trabalhado com os "suspeitos habituais" como a França e a própria ONU desde que no ano passado, o Conselho de Segurança aprovou a resolução 1559, que levou a Síria a concordar com a retirada de suas tropas e funcionários de inteligência do Líbano, após décadas de ocupação. O ex-primeiro-ministro Hariri era um dos mais influentes advogados desta retirada. De acordo com uma fonte citada no relatório da ONU, figuras do alto escalão na Sïria e no Líbano decidiram assassinar Hariri duas semanas após a aprovação da resolução. O rastro das investigações leva ao chefe da inteligência síria, Asef Shawkat, cunhado do presidente e a segunda figura mais poderosa no país Claro que o regime sírio está na mira americana, mas até agora a preferência de Washington tem sido por disparos multilaterais. O Conselho de Segurança deve examinar também na semana que vem um segundo relatório sobre a amplitude da retirada síria do Líbano. A expectativa americana é de que, diante das pressões, o regime sírio mude seu comportamento tanto em casa como no exterior. Damasco, além de negar envolvimento no assassinato de Hariri, insiste que tem colaborado para impedir que insurgentes iraquianos operem a partir do seu território e tem esfriado seu apoio a grupos radicais palestinos. Os americanos querem muito mais, inclusive o isolamento do grupo libanês Hezbollah, tradicionalmente apoiado pelos sírios. Sanções Mas até onde podem ir as pressões americanas? A perspectiva de sanções na ONU é nebulosa, diante da resistência de países como a China e a Rússia. E as alternativas dentro da Sïria não são muito atraentes. Caso Assad resolva sacrificar integrantes do alto escalão para apaziguar a comunidade internacional, ele pode ficar em uma posição doméstica ainda mais vulnerável. Um golpe palaciano ou instabilidade popular podem conduzir a um regime que seja igualmente ou ainda mais avesso aos interesses americanos. Houve um tempo em que o governo Bush era rápido no gatilho. Mas está difícil repetir o modelo iraquiano. Neste segundo mandato, já bastante enfraquecido por crises domésticas e o atoleiro no Iraque, o presidente tem mostrado uma preferência (ou resignação)pelo lento e tortuoso trabalho diplomático. Isto está acontecendo nas crise nucleares do Irã e da Coréia do Norte. A Síria parece se encaixar neste modelo. |
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