|
Declaração de Salamanca condena 'bloqueio' a Cuba | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na declaração final da XV Cúpula Ibero-Americana, os 22 representantes dos países presentes em Salamanca, na Espanha, criticaram o 'bloqueio' a Cuba, determinado pela Lei Helms Burton. O apoio a Cuba não é uma novidade nesse tipo de encontro, mas é a primeira vez que a declaração final, assinada por todos os governantes, usa a palavra "bloqueio" em vez de "embargo". Além de manifestar apoio a Cuba, a declaração final, divulgada neste sábado, traz uma lista de 31 compromissos sociais e econômicos, entre eles acabar com o analfabetismo na América Latina até 2015 e lutar contra a corrupção. No fim da reunião, também foi confirmada a criação da Secretaria-Geral Ibero-Americana (Segib), que será presidida pelo uruguaio Enrique Iglesias, ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A embaixadora brasileira Maria Elisa Berenguer ocupará o cargo de secretária adjunta. A declaração expressa ainda solidariedade a uma série de países, como os afetados por catástrofes naturais da América Central; o Haiti, por causa do conflito armado; e à Argentina para que o Reino Unido volte a negociar a sobernia das Ilhas Malvinas. "Bloqueio" Outro país que é citado na lista dos que merecem a solidariedade do líderes foi Cuba. A mudança no texto, com a substituição da palavra embargo por bloqueio, provocou a reação do porta-voz da embaixada dos Estados Unidos em Madri. Segundo os organizadores da Cimeira, ele se mostrou surpreso com a troca de palavras. "Achamos que seria uma infeliz mudança, se isso pudesse ser interpretado como um sinal de apoio a ditadura cubana", disse o porta-voz, de acordo com os organizadores do encontro. Ele teria acrescentado que esperaria ver o conteúdo oficial dos acordos do encontro de cúpula antes de fazer mais comentários. A palavra embargo é a preferida pelo governo americano para descrever a situação de Cuba. Para o governo brasileiro, a mudança de uma palavra não é razão para polêmica. Segundo o secretário para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, as cimeiras anteriores sempre demostraram apoio a Cuba, condenando o embargo. Quem saiu mais satisfeito com a mudança no texto foi o presidente venezuelano Hugo Chávez, que chamou o governo americano de "imperialista". Sobre a reação do porta-voz da embaixada americana à declaração de Salamanca, Chávez citou uma frase literária: "Que ladrem os cães, como dizia D. Quixote, que logo cavalgaremos". O presidente de Cuba, Fidel Castro, não compareceu ao encontro na Espanha. "Fadiga" Um dia depois de seu secretário diplomático ter reconhecido haver "uma certa "Acho que aqueles que fazem críticas das reuniões de cúpula não se dão conta O secretário da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, havia comentado no dia anterior que já existem muitas reuniões fixas nas agendas dos presidentes e que as discussões prévias nem sempre avançam muito nos encontros. "A cada reunião se avança um pouco mesmo que um milímetro, mas se avança", disse. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||