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Atualizado às: 15 de outubro, 2005 - 17h58 GMT (14h58 Brasília)
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Declaração de Salamanca condena 'bloqueio' a Cuba

Líderes se comprometeram a acabar com o analfabetismo até 2015
Líderes se comprometeram a acabar com o analfabetismo até 2015
Na declaração final da XV Cúpula Ibero-Americana, os 22 representantes dos países presentes em Salamanca, na Espanha, criticaram o 'bloqueio' a Cuba, determinado pela Lei Helms Burton.

O apoio a Cuba não é uma novidade nesse tipo de encontro, mas é a primeira vez que a declaração final, assinada por todos os governantes, usa a palavra "bloqueio" em vez de "embargo".

Além de manifestar apoio a Cuba, a declaração final, divulgada neste sábado, traz uma lista de 31 compromissos sociais e econômicos, entre eles acabar com o analfabetismo na América Latina até 2015 e lutar contra a corrupção.

No fim da reunião, também foi confirmada a criação da Secretaria-Geral Ibero-Americana (Segib), que será presidida pelo uruguaio Enrique Iglesias, ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A embaixadora brasileira Maria Elisa Berenguer ocupará o cargo de secretária adjunta.

A declaração expressa ainda solidariedade a uma série de países, como os afetados por catástrofes naturais da América Central; o Haiti, por causa do conflito armado; e à Argentina para que o Reino Unido volte a negociar a sobernia das Ilhas Malvinas.

"Bloqueio"

Outro país que é citado na lista dos que merecem a solidariedade do líderes foi Cuba.

A mudança no texto, com a substituição da palavra embargo por bloqueio, provocou a reação do porta-voz da embaixada dos Estados Unidos em Madri.

Segundo os organizadores da Cimeira, ele se mostrou surpreso com a troca de palavras.

"Achamos que seria uma infeliz mudança, se isso pudesse ser interpretado como um sinal de apoio a ditadura cubana", disse o porta-voz, de acordo com os organizadores do encontro.

Ele teria acrescentado que esperaria ver o conteúdo oficial dos acordos do encontro de cúpula antes de fazer mais comentários.

A palavra embargo é a preferida pelo governo americano para descrever a situação de Cuba.

Para o governo brasileiro, a mudança de uma palavra não é razão para polêmica.

Segundo o secretário para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, as cimeiras anteriores sempre demostraram apoio a Cuba, condenando o embargo.

Quem saiu mais satisfeito com a mudança no texto foi o presidente venezuelano Hugo Chávez, que chamou o governo americano de "imperialista".

Sobre a reação do porta-voz da embaixada americana à declaração de Salamanca, Chávez citou uma frase literária: "Que ladrem os cães, como dizia D. Quixote, que logo cavalgaremos".

O presidente de Cuba, Fidel Castro, não compareceu ao encontro na Espanha.

"Fadiga"

Um dia depois de seu secretário diplomático ter reconhecido haver "uma certa
fadiga" nas reuniões multilaterais – como a XV Cúpula Ibero-Americana, que
acontece em Salamanca –, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu tais encontros.

"Acho que aqueles que fazem críticas das reuniões de cúpula não se dão conta
que somos políticos e que se não fossem centenas ou milhares de conversas nós não teríamos a União Européia, não teríamos criado a Comunidade Sul-Americana de Nações nem o G20 e o G4", afirmou.

O secretário da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, havia comentado no dia anterior que já existem muitas reuniões fixas nas agendas dos presidentes e que as discussões prévias nem sempre avançam muito nos encontros.

"A cada reunião se avança um pouco mesmo que um milímetro, mas se avança", disse.

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