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Importadores suspendem compra de carne brasileira | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Pelo menos quatro importadores de carne brasileira – Argentina, União Européia, África do Sul e Israel – suspenderam parcial ou totalmente a compra do produto brasileiro por causa da descoberta de um foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informa em nota divulgada nesta terça-feira que Israel e África do Sul suspenderam a importação de carne de todo o Brasil. No caso da União Européia, a decisão afetou apenas os Estados de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. O comunicado não menciona a Argentina, mas o país anunciou a suspensão na noite desta sexta-feira no site da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentos. "A Argentina interrompeu de forma provisória e preventiva a entrada de carnes bovinas provenientes do Mato Grosso do Sul, Brasil", diz o site. A nota do Ministério da Agricultura afirma ainda que o governo brasileiro pretende reverter, com o envio de uma missão à reunião da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), uma decisão da entidade de excluir da área considerada livre de febre aftosa os Estados de Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Tocantins e Sergipe. "Vamos mostrar aos países membros da OIE que as distâncias entre o MS e os outros estados não justificam medidas generalizadas em relação ao Brasil”, afirmou o presidente do Fórum Nacional dos Órgãos Executores de Defesa Agropecuária, Altino Rodrigues Neto, de acordo com o comunicado. O Ministério não confirmou, no entanto, informações de que Rússia, Paraguai e Chile também resolveram suspender a compra de carne brasileira por causa da febre aftosa. Rússia Um representante dos exportadores brasileiros na Rússia, Yuri Ribeiro, disse à BBC Brasil que o comunicado do embargo foi feito por meio de uma carta do Serviço de Supervisão Veterinária e Fitossanitária do governo russo, entregue na tarde desta terça-feira à embaixada do Brasil em Moscou. A Rússia é um dos maiores importadores de carne brasileira. No ano passado, o Brasil exportou cerca de US$ 700 milhões para o país e tem como meta exportar cerca de US$ 1 bilhão. O embargo proibiria importações de carne bovina, suína e de aves do Estado do Mato Grosso do Sul. EUA A correspondente da BBC Brasil em Washington, Denize Bacoccina, apurou que a descoberta do foco da doença em MS também pode dificultar ainda mais a certificação do Brasil para exportação de carne in natura para os Estados Unidos. Os negociadores brasileiros conseguiram contornar o foco em Belém do Pará, no ano passado, mas desta vez a doença ocorre justamente numa região exportadora. O processo de certificação começou ainda em 1999, foi suspenso a pedido do governo brasileiro em 2001, depois da descoberta de um foco da doença no Rio Grande do Sul e retomado em 2002. Desde então, foi concluída a primeira fase, que é a análise de risco, no primeiro semestre do ano passado. Mas o governo americano ainda não havia divulgado a minuta de regulamentação autorizando a exportação, que depois de publicada ainda precisa ser submetida a consulta pública. A embaixada brasileira ainda não recebeu nenhuma comunicação oficial sobre o assunto, mas esta comunicação também pode ser feita entra a embaixada americana em Brasília e o governo brasileiro. O Brasil nunca exportou carne in natura para os Estados Unidos, mas exporta carne processada, tipo fiambre ou apresuntado enlatado. No ano passado, as vendas somaram quase US$ 200 milhões. Se conseguirem a permissão para exportar, os produtores brasileiros ainda terão que competir com outros exportadores por uma quota de 670 mil toneladas ao ano sem tarifas de importação. Essa quota é tomada quase totalmente pela Austrália e Nova Zelândia. O Uruguai vendeu cerca de 20 mil toneladas no ano passado. Mas, de acordo com negociadores brasileiros, mais importante do que competir pela quota, é o aval do governo americano à qualidade sanitária da carne brasileira, o que poderia abrir caminho para outros mercados, como o japonês. |
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