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Atualizado às: 13 de setembro, 2005 - 18h45 GMT (15h45 Brasília)
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Mais ricos, chineses agora se divorciam muito mais

Zhang Jumei, chinesa que se separou
Chineses como Zhang Jumei vêem menos estigmas com divórcio
O número de divórcios na China vem crescendo aceleradamente nos últimos anos – o aumento foi de 20% no ano passado, quando 1,5 milhão de casais se separaram.

É um número notável em um país em que, até pouco tempo atrás, as relações pessoais deviam se subordinar à relação com o partido e com o Estado, fazendo com que os divórcios fossem raros na China comunista.

Mas no final de 2003 as regras mudaram, e agora as novas gerações querem aproveitar a prosperidade trazida a muita gente pelo crescimento acelerado da economia chinesa.

O resultado é que tendências como esta dos divórcios não dão sinais de se reverter.

Divórcio na TV

Antes era muito difícil para conseguir um divórcio no país – os casais precisavam de permissão de seu trabalho, mas raramente ela era concedida.

Hoje em dia, porém, maridos e mulheres infelizes podem visitar seu centro comunitário local e, se ambas as partes concordarem, o divórcio é concretizado em dez minutos, diante do pagamento do equivalente a R$ 2,30.

Zhang Jumei, 45, é uma das muitas pessoas que decidiram se separar.

Após 20 anos de casamento, ela encontrou outra pessoa. No passado, teria pensado duas vezes antes de se separar do marido. Mas, segundo ela, na nova China o divórcio é menos estigmatizante.

“A sociedade de hoje é muito mais tolerante. Ela permite aos indivíduos fazerem suas escolhas pessoais”, diz ela.

“As pessoas têm expectativas diferentes sobre a qualidade de suas vidas. Nós decidimos que estilo de vida nós queremos e como levar uma vida melhor.”

Jornais e revistas também dedicam colunas e mais colunas para as histórias de amor e de corações partidos.

O programa de TV Divórcio à Chinesa foi o mais visto no ano passado, preocupando as autoridades, que lançaram uma campanha para pedir aos casais que pensassem duas vezes antes de se separar. Mas o pedido teve pouco impacto.

Mudança social

“Algumas pessoas temem que o divórcio tenha um impacto muito negativo na nossa sociedade”, diz a professora de sociologia Xu Anqi, da Academia de Ciências Sociais de Xangai.

“Não acho que precise haver tanta preocupação. Tome os Estados Unidos como exemplo. O número de divórcios lá é muito alto, mas isso não quer dizer que a sociedade não é estável. Na China o número de divórcios foi o menor possível durante a Revolução Cultural, um período de incertezas para o país e de completo caos”, diz.

A tendência reflete uma mudança mais profunda na sociedade chinesa.

A geração mais jovem não conheceu nada além de crescimento e prosperidade.

Esses jovens querem aproveitar as novas riquezas do país à sua maneira.

Diferentemente de seus pais, eles não estão preparados para fazer sacrifícios pelo partido ou pelo Estado – proteger suas vidas privadas é uma prioridade maior.

A sociedade na China está mudando e há menos certezas hoje em dia.

A velha ordem, com suas regras fixas, está desaparecendo rapidamente, mas os novos valores que vão ficar no lugar ainda precisam ser estabelecidos.

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