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Em Lisboa, FHC diz não acreditar em 'pizza' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse em Lisboa nesta quarta-feira que não acredita na possibilidade de que os escândalos que atingem o governo e o Congresso terminem em "pizza". “As conseqüências estão aí. Muita gente foi afastada de cargos públicos, há processos, não há essa hipótese. Depende do que se considere pizza. Pizza hoje é a sensação de que há muita corrupção e que as coisas não mudam”, afirmou o ex-presidente que está em Portugal para a comemoração dos 20 anos da Associação Portuguesa de Sociologia. Fernando Henrique chegou nesta quarta-feira a Lisboa e, apesar de não ter visto o documento que mostra que o presidente do Câmara, Severino Cavalcanti, prorrogou o aluguel do restaurante do 10º andar do congresso, falou sobre o que isso significa: “Não estava lá, não vi o documento. Acho que o pessoal do meu partido tem exposto o nosso pensamento. Acredito que não é só uma questão da Câmara. O Brasil chegou a um ponto em que o importante agora é recuperar a credibilidade. O que me preocupa é a falta de crença. Porque a população cansou. A sensação é de que todo mundo está nisso. Acho que o que aparecer tem que ser apurado. Esse caso tem que ser apurado. Se for culpado, paga. Se não for, pede-se perdão.” Credibilidade Segundo FHC, será necessário um esforço coletivo para sair da atual situação: “Acho que é preciso que haja um grande esforço do conjunto das pessoas, não só dos políticos, mas da própria sociedade, no sentido de recuperação da virtude. É uma palavra que ficou um tanto batida, nos últimos tempos, mas é uma visão republicana. Estado é uma coisa e vida privada é outra. Vida pública é uma coisa e vida privada é outra e não deve estar confundidas a toda hora. Isso tem que ser posto com muita energia." Fernando Henrique rebateu a idéia de que haveria uma manipulação das investigações na CPI com o objetivo político de preparar as eleições presidenciais de 2006. “Acho uma loucura isso, o povo não está pensando em eleição. Há uma coisa muito mais importante do que eleição que é recuperar a confiança nas instituições. Porque também não adianta alguém se eleger e não ter credibilidade. É uma pena o que aconteceu e digo isso sinceramente. O que aconteceu com esse partido, o PT, e com o governo é uma pena para o Brasil, porque afetou a credibilidade mais geral e não só a deles”. Ele também respondeu às afirmações feitas pelo ex-ministro José Dirceu, que disse que era uma conseqüência da falta de uma maioria no Congresso. Em junho, quando surgiu o escândalo, Dirceu fez as contas e disse que todos os partidos da esquerda apenas chegariam a 30% dos deputados, indicando que era necessário trazer mais votos para o apoio ao governo. “Eu não tive maioria e não houve isso. Essa situação é conseqüência do modo como você pode ter tentado obter a maioria. Você pode até governar sem maioria. É melhor tê-la, para fazer reformas você precisa ter maioria. Mas a forma de obtê-la não pode ser essa. Essa forma desmoralizou tudo.” Sobre a possibilidade do impeachment, Fernando Henrique afirmou que são necessárias duas condições: que o presidente esteja realmente envolvido e que a opinião pública acredite que o presidente está envolvido. "No Brasil, não estamos nesse clima. Agora, pizza não vai ocorrer, não pode ocorrer. Porque já tem conseqüências, muita gente foi demitida, os processos estão andando. Mas às vezes há a sensação de que se não houver impeachment houve pizza, o que não é verdadeiro.” |
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