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Atualizado às: 01 de setembro, 2005 - 21h13 GMT (18h13 Brasília)
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Clooney nega 'declaração política' em seu filme

Clooney (à dir.) e o elenco do filme 'Good Night and Good Luck' em Veneza
Clooney (à dir.) e o elenco do filme 'Good Night and Good Luck' em Veneza
O ator americano George Clooney insistiu que o segundo filme escolhido por ele para dirigir, Good Night and Good Luck que está na competição principal do Festival de Cinema de Veneza, não tem objetivo de fazer uma declaração política.

Ele afirma que o longa gira em torno de uma questão: "O medo deveria ser usado para retirar algumas liberdades civis?".

Falando em uma entrevista coletiva disputada no Palazzo del Casino, Clooney afirmou que seu objetivo "não é atacar qualquer administração, é iniciar o debate".

O ator de 44 anos, conhecido por seus ataques ao governo do presidente americano George W. Bush, disse que seu longa se concentra em um período da década de 50 em que o apresentador Edward R. Murrow enfrentou ações movidas pelo senador do estado do Wisconsin, Joseph McCarthy.

McCarthy geralmente usava acusações sem provas de que vários cidadãos americanos seriam simpatizantes do comunismo, muitas vezes deixando os acusados sem emprego, perdendo amigos e até se separando de suas famílias.

"Eu cresci sendo fã de Murrow e de seus discursos da época", afirma Clooney, que, além de dirigir Good Night and Good Luck, interpreta o produtor de Murrow, Fred Friendly.

"Não fiz o filme como uma declaração política, fiz o filme como uma referência histórica", disse.

Mas o ator admite que as circunstâncias de seu longa são relevantes em meio aos eventos atuais, particularmente devido ao fato de que vai ocorrer outra votação da lei antiterrorismo americana em outubro.

"Não sou um arrogante, gosto de filmes de entretenimento também. Mas quando você faz um filme como este, ou Três Reis, filmes que te causam um pouco de problemas, é divertido abrir um debate."

"Informações verdadeiras são difíceis de conseguir nestes dias", acrescenta Clooney, cujo pai, Nick, um ex-apresentador de telejornais, se decepcionou com o jornalismo e resolveu concorrer a uma vaga no Congresso em 2004.

"Quando eu era criança havia três redes de televisão, três telejornais transmitindo a mesma informação. Você recebia aquela informação em sua casa e formava suas próprias opiniões", disse.

"Agora temos 130 canais. Você vai ao canal que se assemelha às suas crenças. Começamos com um grupo diferente de fatos, é mais polarizador."

Ao iniciar o filme, Clooney, que escreveu o roteiro junto com o produtor Grant Heslov, assumiu um ponto de vista jornalístico, ouvindo duas fontes para cada cena e baseando o filme em fatos.

Imagens verdadeiras

Ainda seguindo o estilo de quase documentário, os produtores resolveram usar imagens verdadeiras do senador McCarthy, ao invés de selecionar um ator para o papel.

Para evitar acusações de que ele estaria transformando o senador em um vilão, "o truque foi mostrar o verdadeiro McCarthy, fazendo o que ele fazia", disse Clooney.

"Ninguém pode ser tão mal como ele foi", disse Heslov, que participou da entrevista coletiva junto com Clooney e os atores David Strathairn (que interpreta Murrow) e Patrícia Clarkson.

Os produtores decidiram fazer o filme todo em preto e branco para que as imagens reais se misturassem melhor.

O efeito, aliado ao fato de que a maioria das falas foram escritas por Murrow há 50 anos, traz de volta o que a atriz Clarkson chamou de "os dias gloriosos da televisão".

O filme termina com Murrow fazendo um discurso, atacando os padrões decadentes da televisão em 1958, e o perigo de dar às corporações muito controle editorial.

Murrow morreu de câncer em 1965, aos 57 anos.

"A situação tem solução, mas não acho que seja reversível", afirma Clooney, falando sobre o atual estado da televisão americana.

"Muito tempo se passou desde que os apresentadores eram os homens mais confiáveis dos Estados Unidos."

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