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Verão mais seco em 65 anos provoca desertificação na Espanha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Espanha está passando por seu verão mais seco nos últimos 65 anos. A escassez de chuvas desde novembro do ano passado e o forte calor deixaram 13 das 17 províncias espanholas em estado de alerta. Em pleno verão no país mais árido da Europa, as reservas de água estão abaixo dos 50% e a metereologia indica que o pior ainda está por vir. Junto à falta de água, chegam os incêndios. Houve queimadas em mais de 70 mil hectares, o equivalente a 110 mil campos de futebol. O governo tentará compensar prejuízos agrícolas com uma linha de crédito equivalente a R$ 800 milhões. O mais grave para as reservas florestais é que alguns bosques só irão se recuperar em 300 anos. A situação é tão crítica que três províncias, Valencia, Múrcia e Canárias, estão sob risco de sofrer um forte processo de desertificação. Muitos rios do país já nem se aproximam do volume que tinham anteriormente. O rio Segura tem apenas 15% do volume anterior; o Júcar, 27%; e o Tejo, 42%. Falta de água Apesar dos dados alarmantes, o governo afirmou que não faltará água para o consumo, mas está recorrendo à tecnologia para tentar combater os efeitos da seca. No mês passado, foi inaugurada a maior depuradora de águas da Europa, em Carboneras, no sul do país. Transforma água do mar em potável para abastecer 200 mil pessoas. Outro recurso tecnológico é o projeto das universidades Rei Juan Carlos de Madri, de Salamanca e de Bruselas para provocar chuva artificialmente sobre as cidades do litoral mediterrâneo espanhol. Em alguns casos, a opção foi menos sofisticada. O governo de Múrcia admitiu que chegou a autorizar o uso de águas fecais para regar plantações. A ministra do Meio Ambiente, Cristina Narbona, reconheceu a gravidade da situação, mas advertiu que os espanhóis precisam começar a se acostumar a secas como a atual. De acordo com ela, a seca é decorrente dos efeitos das mudanças climáticas no planeta, e a tendência é que a Espanha enfrente temperaturas ainda mais extremas no futuro. Antonio Mestre, o responsável pela divisão de meteorologia do Ministério do Meio Ambiente, corrobora essa visão. "Essa é a tendência. Esses picos, que antes apareciam em ciclos de cinco ou dez anos, agora são mais freqüentes. De toda forma, é mais difícil prever temperaturas extremas na Europa do que em outras regiões mundiais, devido à alta variação meteorológica e porque aqui não há oscilações oceânicas." "Os movimentos do Atlântico e do Pacífico, no sul, por exemplo, ajudam a prever fenômenos como o El Niño. Na Europa não há fontes de previsão tão marcadas, nem sequer para as chuvas", acrescentou Antonio Mestre. Os ambientalistas também acreditam que a mudança climática decorrente da emissão de gases do efeito estufa está alterando a temperatura mundial, e a tendência é que esse efeito aumente. Mas eles acreditam que a crise gerada pela seca tem solução. Para Guido Schmidt, diretor do ramo espanhol da organização ambiental World Wide Fund, a Espanha precisa de uma nova política relativa ao uso da água. Dessa forma, diz o ambientalista, é possível agir antes da chega da seca. "A Espanha é um dos países com maior número de represas do mundo: 1200. Então, basta controlar o consumo. Não é normal que haja tanto desperdício na agricultura, por exemplo, apenas para produção de excedentes para exportação ou regar campos de golf. Já denunciamos tais desperdícios à União Europeia", afirma Schmidt. Segundo a ONG ambientalista, há em média 20 mil incêndios por ano na Espanha, e 96% são provocados pela mão humana, com intenção ou negligência. Portugal Em Portugal, a crise é a mais grave já registrada. Segundo o informe do Instituto da Água, 100% do território português está sob seca extrema (80%) ou severa (20%). Tem havido pouca chuva no país e até o norte de Portugal, acostumado a temperaturas baixas, passa pela situação mais crítica dos últimos 300 anos. Só na agricultura, somando a falta de água e os incêndios de 68 mil hectares, as perdas superam o equivalente a R$ 6 bilhões, 1,5% do PIB do país. A França, que enfrentou secas dramáticas há dois anos, com 15 mil mortos, já ativou o plano de emergência. Em 50 cidades o consumo de água está controlado pelo governo, e três idosos morreram por hipertensão e desidratação. Segundo o Instituto Espanhol de Meteorologia, seria preciso chover em média cerca de 200 milimetros cúbicos ao longo de um mês para compensar os estragos. Mas as previsões indicam que isso não deve ocorrer. |
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