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Comissária da UE quer retomada de negociação com Mercosul | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A comissária européia para as Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, iniciou nesta segunda-feira visita de dois dias ao Brasil para confirmar a retomada das negociações entre União Européia (UE) e Mercosul. As negociações entre os dois blocos estão congeladas desde outubro do ano passado e Ferrero-Waldner espera demonstrar o que ela chamou de "boa vontade política" para a retomada do diálogo. Segundo Ferrero-Waldner, o novo prazo para a conclusão das conversas para a criação de um acordo de livre comércio entre os dois blocos seria maio de 2006, quando acontecerá a Cúpula de Viena, entre os líderes da UE e os países da América Latina. A cúpula anterior ocorreu em 2004, em Guadalajara, no México. "Nós já tivemos uma longa negociação de vários anos, e agora estamos no final dela, que é o período mais difícil de qualquer negociação, mas eu acredito que, se nos dispusermos a sentar e conversar, poderemos concluir esse acordo até maio de 2006, para a Cúpula de Viena", afirmou a comissária. Sem avanços Fontes diplomáticas da própria Comissão Européia parecem menos otimistas que a comissária. "Antes da próxima reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Hong Kong, isso não vai avançar de forma alguma. O Mercosul já disse que não vai voltar à mesa de negociações antes de dezembro", disse um alto funcionário do bloco europeu. O funcionário se refere à próxima reunião ministerial da Rodada de Doha, as discussões multilaterais da OMC. Ferrero-Waldner disse concordar que alguns temas, como a agricultura, só poderiam ser negociados com o Mercosul depois de dezembro, depois das rodada multilateral de comércio. "Mas o acordo não inclui apenas comércio. Ele também inclui serviços, concorrências públicas, setor bancário e muitos outros", acrescentou a comissária. Na opinião do embaixador brasileiro junto às Comunidades Européias, José Alfredo Graça Lima, a UE comete um erro ao tentar fixar uma data para concluir o acordo entre os dois blocos. "No ano passado aconteceu o mesmo, o ex-comissário Pascal Lamy criou uma agenda para as negociações com um prazo fixado em outubro, e isso acabou gerando um sentimento de fracasso quando chegamos até a data sem um resultado", explicou. E Graça Lima apontou também que o comissário responsável pelo diálogo seria Peter Mandelson, da pasta do Comércio, e não Ferrero-Waldner. "É mais fácil e, inclusive, muito simpático demonstrar boa vontade política, do que efetivamente negociar. No passado ocorria o mesmo, o lado político avançava, mas a parte comercial trancava", comparou. Nesta segunda-feira, Ferrero-Waldner estará em Brasília, onde encontrará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alguns ministros. Na terça-feira, a comissária irá a São Paulo, onde visitará a Federação da Indústria de São Paulo (Fiesp) e encontrará membros do Parlatino. Antes de voltar à Europa, a comissária também visitará o Peru. |
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