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Análise: Na Ásia, Rice tenta avanços em crise norte-coreana | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, faz neste fim de semana a sua segunda visita ao leste da Ásia em seis meses. A visita não é apenas um reconhecimento da crescente importância da China, mas também um indício da frustração de Washington com a falta de progresso nas tentativas de convencer a Coréia do Norte a voltar às negociações sobre o seu programa nuclear. Três dos quatro países que Rice vai visitar – China, Japão e Coréia do Sul – estão envolvidos nas negociações multilaterais com os norte-coreanos. Faz mais de um ano que essas negociações fracassaram. Desde então, Pyongyang confirmou que detém ogivas nucleares – daí a urgência de retomar o diálogo. Influência chinesa Washington acredita que Pequim deveria estar usando mais da sua influência econômica e política junto à Coréia do Norte. "Nós achamos que a China pode fazer mais para eliminar o programa de armas nucleares", afirmou o diplomata responsável pelo controle de armas no Departamento de Estado, o subsecretário Robert Joseph. Washington precisa da China como mediadora porque as suas próprias relações com Pyongyang são ruins. Um encontro entre autoridades americanas e norte-coreanas no mês passado na sede da ONU em Nova York parece ter produzido poucos avanços. Os Estados Unidos suavizaram a retórica contra a Coréia do Norte desde que Pyongyang deu indicações de que poderia voltar às negociações. No entanto, a Coréia do Norte ainda precisa fixar uma data e Condoleezza Rice deixou aberta a opção de levar a crise em torno do programa nuclear do país ao Conselho de Segurança da ONU. Ainda assim, ela dificilmente conseguiria apoio para isso e, portanto, precisa da pressão chinesa. EUA e China O problema é as relações entre Estados Unidos e China enfrentam as suas próprias dificuldades. Na sua última visita a Pequim, a secretária de Estado americana manifestou preocupação com o poderio militar chinês e apelou para que o país atue como uma "força positiva" na região. Somado a isso, o Congresso americano deixou claro o seu desconforto com o aumento da influência econômica da China. Os parlamentares estão preocupados com a oferta da companhia chinesa CNOOC para comprar a empresa de energia americana Unocal e com a entrada maciça de produtos chineses nos Estados Unidos. Japão Diante das dificuldades com a China, Condoleezza Rice encontrou no Japão o seu mais importante aliado na região. A lealdade de Tóquio foi recompensada com o apoio americano à candidatura japonesa a um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nenhum outro país que pleiteia o privilégio recebeu o apoio de Washington. A secretária de Estado está ciente de que precisa melhorar a imagem dos Estados Unidos no mundo. A sua passagem por Phuket, na Tailândia, é uma prova disso. Rice quer chamar atenção para os esforços feitos pelos Estados Unidos na reconstrução pós-tsunami do sudeste asiático. Essa ajuda, aliás, já parece estar rendendo frutos. Uma pesquisa recente feita pelo Centro Pew, de Washington, mostrou que na Indonésia 79% dos entrevistados tinham uma idéia favorável dos Estados Unidos por causa da assistência prestada após a tragédia. Portanto, a Tailândia deverá oferecer as imagens positivas desta viagem. Mas Condoleezza Rice espera que dos seus encontros na China saia uma conquista política. |
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