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Análise: Acordo do G8 promete muita retórica e poucos detalhes | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O encontro do G8 começa nesta quarta-feira, na Escócia, com duas metas bem claras: chegar a um acordo sobre como acabar com a pobreza na África e alcançar um consenso sobre como evitar mudanças climáticas causadas pela poluição. Um acordo sobre a África é muito mais provável do que sobre o clima. Já há acordos-chave fechados em relação à dívida externa de países africanos e também à ajuda a esses países. Os 18 países mais pobres do continente vão ter suas dívidas totalmente perdoadas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), Banco Mundial e também pelos países credores, enquanto o esquema de redução da dívida está sendo ampliado. A Nigéria, o país mais populoso da África, que antes não havia se qualificado para entrar no esquema, conseguiu convencer os credores nos últimos dias de que está fazendo o suficiente para combater a corrupção, garantindo assim o perdão de parte de suas dívidas. Na questão da ajuda, o presidente americano, George W. Bush, anunciou na semana passada que vai dobrar a ajuda para a África até 2010. O anúncio segue o exemplo da Itália, Alemanha, França e Grã-Bretanha, que já haviam prometido aumentar a ajuda para o continente. Ao todo, a África deve receber US$ 25 bilhões em ajuda a mais por ano. Comércio Se a ajuda já está garantida, reformas no sistema de comércio mundial para garantir condições mais justas para a África serão muito mais difíceis de ser alcançadas. O objetivo é diminuir os subsídios pagos aos agricultores e reduzir as tarifas de importação, para que fazendeiros africanos tenham melhores condições de competir no mercado internacional. A União Européia aprovou algumas reformas, está cortando alguns subsídios e transferindo outros, para que os agricultores sejam beneficiados por não poluir o ambiente, e não pela produção. Mas a Grã-Bretanha quer cortes mais radicais. O secretário de Desenvolvimento Internacional, Hillary Benn, disse recentemente em um discurso que a "Europa não pode liderar o mundo na questão do desenvolvimento, enquanto suas políticas de agricultura e subsídio enfraquecerem a habilidade de comércio dos países em desenvolvimento, que os ajudaria a se livrar da pobreza". A discussão ainda nem começou nos Estados Unidos e Japão, que pagam altos subsídios aos agricultores, apoiados por poderosos lobbies. O comunicado final em Gleneagles, provavelmente, será rico em retórica, mas pobre em detalhes. O que tornará mais fácil para os países desenvolvidos evitar concessões na próxima rodada de negociações na Organização Mundial do Comércio em Hong Kong, em dezembro, apesar de esta estar sendo chamada de "rodada dos países em desenvolvimento". |
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