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Atualizado às: 23 de junho, 2005 - 17h32 GMT (14h32 Brasília)
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Mulher é ordenada padre em cerimônia secreta

Cerimônia secreta de ordenação
A mulher no centro da cerimônia (sendo ordenada na foto) não quis ser identificada
Uma mulher foi ordenada padre em uma cerimônia secreta presenciada pela BBC em uma capela católica particular na Europa Central.

A reportagem da BBC foi autorizada a presenciar a cerimônia com a condição de não revelar o local exato onde o evento foi realizado e não identificar a mulher ordenada.

A cerimônia - que não é reconhecida pelo Vaticano - ocorreu cerca de dois meses depois da escolha do cardeal Joseph Ratzinger como Papa Bento 16.

Cerca de uma dúzia de homens e mulheres participaram da ordenação e as palavras ditas eram quase idênticas às definidas pela Igreja Católica Apostólica Romana para tal ritual.

Desafio

Antes da solenidade, a jovem ordenada padre admitiu que estava preocupada com o desafio feito à Igreja.

"Mas eu espero que dentro de cinco anos, dez anos, as coisas mudarão porque há muitas mulheres que gostariam de seguir o mesmo caminho e o caminho será um pouco melhor para elas."

Ela pediu que não fosse identificada por medo de perder seu emprego como professora de educação religiosa.

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Patricia foi "ordenada" há três anos e excomungada

Há três anos, Ratzinger, então chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, excomungou sete mulheres que haviam sido ordenadas em um barco ancorado no rio Danúbio.

Patricia, umas das mulheres que ficaram conhecidas como As Sete do Danúbio, participou como sacerdote da cerimônia presenciada pela BBC.

Usando o título de bispo, Patricia, que foi freira dominicana por 45 anos, defendeu o direito de ordenação das mulheres.

"Eu estudei tanto quanto os homens e fui excluída do sacerdócio. É tão injusto", disse Patricia, uma sul-africana branca que cresceu durante o apartheid.

"Uma das formas de derrubar uma lei injusta é violá-la."

Confrontada com o argumento de que a Igreja diria que as leis de Deus não podem ser questionadas, Patricia argumentou que não há nada nas escrituras que proíba mulheres de ser padres.

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Cerimônia foi ilícita e inválida, diz Igreja

"É uma lei dos homens, da Igreja, que mudou várias vezes pelos séculos. E uma lei injusta não precisa ser cumprida", argumentou.

"Decisão divina"

O presidente do Conselho Pontíficio para a Comunicação Social, arcebispo John Paul Foley, contestou o argumento de Patricia.

"Como homem, eu não posso conceber... isso é injusto? Por decisão divina... não há diferença."

Segundo Foley, se é biologicamente impossível para um homem conceber, é "teologicamente impossível" que uma mulher seja padre.

Foley afirmou que a cerimônia presenciada pela BBC não era "apenas ilícita, mas inválida".

Um dia depois da cerimônia, a reportagem da BBC visitou a igreja local durante a missa e não conseguiu encontrar nenhum fiel que se opusesse à idéia da ordenação de mulheres.

Mas "a questão é o que Jesus quer. O que revelou e o que a Igreja ensina. Essa é a norma pela qual nos devemos guiar. Não por pesquisas de opinião", argumentou Foley.

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