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Proposta brasileira para proteção de baleias é derrotada | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A proposta defendida pelo Brasil de criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul foi derrotada nesta quarta-feira no congresso anual da Comissão Internacional da Baleia (CIB), realizado em Ulsan, na Coréia do Sul. O projeto precisava de 75% dos votos para ser aprovado, mas recebeu 29 a favor e 26 contra. Apesar disso, o resultado foi comemorado pela delegação brasileira, que o considerou uma vitória política contra a volta da caça à baleia no Atlântico. "É só olhar para as listas de países a favor e contra a proposta para entender o que está se passando na CIB", disse o Coordenador do Projeto Baleia Franca e integrante da delegação brasileira, José Truda. Em troca de ajuda? "Apoiando o Brasil estavam Argentina, África do Sul, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e quase todos os países europeus", disse. Entre os países que votaram contra a proposta estavam Japão, Nauru, Kiribati e Antígua e Barbuda. Uma nota divulgada no site do Ibama diz que os países que votaram contra o santuário foram "pejorativamente chamados de 'puppets' (marionetes) na CIB por terem sido recrutados pelo Japão para votar a favor da caça à baleia, em troca de auxílio financeiro." A alegação de que o Japão "recrutou" o apoio desses países foi rejeitada por Joanne Massiah, ministra para Recursos Marinhos de Antígua e Barbuda. "Temos um interesse no uso sustentável dos recursos marinhos", disse ela. Derrota moral Mesmo trazendo novos países aliados este ano, a proposta japonesa de abolir o Santuário Antártico, já existente, foi derrotada por margem similar de votação. O Japão, que caça baleias alegando motivos científicos, foi duramente criticado por seus planos de praticamente dobrar o número de baleias que autoriza matar anualmente. O país planeja caçar mais de mil baleias anualmente em águas antárticas. Uma resolução co-patrocinada por Brasil, Austrália, Argentina e 22 outros países, que critica a prática japonesa de caçar baleias alegando motivos científicos e exige que ela seja abandonada imediatamente, foi aprovada durante o encontro. Leis Segundo as leis que regulam a CIB – datadas de 1946 e classificadas como "arcaicas" pela delegação brasileira – qualquer país pode decidir caçar quantas baleias quiser em nome da ciência, independentemente do que outras nações ou cientistas pensam. O Japão argumenta que a CIB está se concentrando muito em conservação e não no que o país afirma ser sua missão original, a regulamentação da pesca baleeira. "Muitas opções estão abertas, inclusive deixar a CIB", diz Minoru Morimoto, chefe da delegação japonesa. "É hora do Japão respeitar um congresso internacional que disse, pela 41ª vez em 18 anos, que não existe justificativa para este projeto de pesquisa", disse Patrick Ramage, representante do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal. Algumas delegações estão pedindo por reformas nas regras da CIB para acabar com as brechas legais que permitem a matança de um número ilimitado de baleias para fins científicos. |
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