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Atualizado às: 09 de junho, 2005 - 14h22 GMT (11h22 Brasília)
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Menino de cinco anos é policial na Índia

Saurabh Nagvanshi
O policial Saurabh Nagvanshi, cinco anos, "se esconde atrás da mãe"
No momento em que a maioria das crianças se prepara para ir à escola, Saurabh Nagvanshi, de cinco anos de idade, se prepara para ir trabalhar em uma delegacia na cidade de Raipur, capital do Estado indiano de Chattisgarh.

Saurabh é um dos "beneficiados" por um sistema indiano que permite a um parente "herdar" o emprego de um servidor público que morrer enquanto estiver trabalhando.

Não há restrição de idade para o parente que for assumir o cargo e muitas famílias não têm alternativa a não ser mandar as crianças mais novas ao trabalho.

Saurabh – cujo salário alimenta uma família de cinco pessoas – depende da mãe para levá-lo à delegacia em Raipur, que fica a 110 km de onde ele mora, na cidade de Bilaspur.

Recebendo o cheque

 Eu não tive opção a não ser mandar meu filho trabalhar. Nesta idade, ele deveria estar brincando
Ishwari Devi Nagvanshi, mãe de Saurabh

Na delegacia, as crianças que ocupam os empregos de parentes mortos alternam um dia de trabalho com um dia em que vão à escola.

Quando estão trabalhando, as crianças fazem serviço de arquivamento e servem chá, café e água para os policiais mais graduados.

As crianças recebem salário de US$ 57 (cerca de R$ 140) por mês.

Ainda aprendendo a ler e escrever, Saurabh já sabe como assinar seu nome quando recebe o pagamento.

Ele é calado. Se você tentar falar com ele, ele vai fugir ou se esconder atrás da mãe.

Ela explica que "para manter a casa, eu não tinha opção, a não ser fazer meu filho trabalhar. Não é bom. Nesta idade, ele deveria estar brincando".

Respeito

Manish Khoonte e família
Muitas famílias, como a de Manish Khoonte (à dir.) não têm opção

Para a maioria das crianças que assume as responsabilidades dos pais mortos, não há tempo para brincadeiras.

Manish Khoonte, dez anos, trabalha como policial na delegacia de Korba.

O dia dele começa às 6h, quando ele vai à escola com seus dois irmãos mais novos. À tarde, depois da aula, ele vai para o trabalho. Á noite, ele tem reforço escolar.

Ele adora futebol, mas não tem tempo para jogar.

Manish recebe o salário todos os meses e ganhou o respeito de seus colegas, que o chamam de "policial". Ele diz que quer se tornar inspetor de polícia algum dia.

Nem todos estão satisfeitos com a situação. Jitesh Singh, 13 anos, diz que quer deixar o trabalho de policial-mirim o quanto antes, mas acredita que ainda vai ter que passar muitos anos na delegacia.

Janki Prasad Rajwade, 18 anos, se sente do mesmo jeito. Ela começou a trabalhar para a polícia em 1994, quando seu pai morreu.

Desde então, ela vem imaginando quando será possível deixar o emprego.

Jitesh Singh
Jitesh Singh quer deixar a polícia, mas não sabe quando vai poder

Ela diz que não gosta do trabalho de arquivamento, ou de servir chá e café, mas não tem muita escolha.

Rajwade espera completar os estudos e conseguir um emprego com o serviço de polícia federal, não com a polícia estadual.

Ilegal

O superintendente da polícia ferroviária em Raipur, Pawan Dev, disse que o emprego de crianças na força policial tem que ser visto pela perspectiva social.

O dinheiro é um grande alívio para as famílias, diz ele. Além disso, o trabalho é leve.

Mas Subhash Mishra, que é membro da Comissão de Direitos Humanos, afirma que é errado empregar crianças.

Segundo ele, as famílias deveriam receber a quantia para pagar pela educação e criação das crianças.

Subhash Mahapatra, presidente da organização de defesa dos direitos humanos Fórum para Investigação, Documentação e Advocacia, vai além.

Ele explica que, acordo com a Convenção de Genebra, empregar crianças como policiais e fazê-las trabalhar em idade tão nova é contra as leis indianas e internacionais.

"É muito parecido com a definição de soldados crianças expressa pelas Nações Unidas", diz ele.

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