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Atualizado às: 07 de junho, 2005 - 13h26 GMT (10h26 Brasília)
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Golfinhos aprendem técnicas com a mãe, sugere estudo

Golfinho fêmea (Foto: PNAS/Janet Mann)
Este seria primeiro caso de cultura material entre espécies marinhas
Golfinhos fêmeas do tipo mais comum, o roaz, aprendem com as mães a usar esponjas marítimas para procurar comida, sugere um estudo apresentado na publicação da Academia Nacional de Ciências americana.

A descoberta é apontada como o primeiro caso de cultura material – aprendizagem do uso de material de uma geração para outra – observado em espécies marítimas.

Para chegar à conclusão, os biólogos observaram os golfinhos na Baía dos Tubarões, na Austrália.

Esses golfinhos arrancam esponjas do fundo do mar para "pescar", aparentemente as usando como proteção na hora de buscar alimento.

Genética

A intenção do estudo era verificar se o comportamento poderia ser transmitido socialmente. Por isso, foi preciso pesquisar a genética dos animais para verificar a tese de que a ação poderia ter sido transferida por genes.

Embora não tenham descartado completamente essa hipótese, os cientistas concluíram que o mais provável é que o comportamento tenha sido aprendido.

O uso da esponja está praticamente confinado às fêmeas – apenas um a cada 13 golfinhos usando a técnica era macho.

Para investigar os possíveis fatores genéticos, a equipe analisou amostras de DNA colhidas da barbatana dos animais.

O resultado da análise do DNA mitocondrial - que é passado apenas pela mãe - sugere que os golfinhos que usam a técnica está restrita a um grupo familiar com um ancestral comum - uma espécie de "Eva da esponja".

O resultado sugere que a transmissão da técnica dentro de uma única "linha materna".

Os cientistas consideram pouco provável que o hábito seja determinado por uma complexa combinação genética. "Por que, então, ele estaria confinado a uma única linha materna?", disse Michael Krützen, da Universidade de Zurique, na Suíça.

Então, os pesquisadores investigaram se a técnica poderia ser herdada através de um único gene. Mas nenhuma das dez hipóteses possíveis foi confirmada em campo.

"É muito difícil apresentar argumentos genéticos para mudanças recentes de comportamento, porque essas coisas não acontecem rapidamente em uma população", disse Grant Pogson, biólogo evolucionista da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

O professor de conservação biológica da Universidade de Beaufort, nos Estados Unidos, Andrew Read, disse que já houve teorias parecidas sobre lontras do mar, e que não se surpreenderia “se elas fossem verdade".

"Já houve suspeitas de que comportamentos individuais eram passados de mãe para filha entre os golfinhos nariz-de-garrafa de Saratoga, nos Estados Unidos, porque elas passam um longo tempo juntas".

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