|
EUA carecem de um bom plano na crise nuclear norte-coreana | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na crise nuclear da Coréia do Norte existe uma proliferação de dúvidas sobre o que está acontecendo em meio a dificuldades para decifrar se o recluso e imprevisível regime de Pyongyang está realmente prestes a realizar o seu primeiro teste subterrâneo. Com tantas incertezas no ar, o fato concreto é que o governo norte-americano carece de boas opções diplomáticas e militares para lidar com a crise. Imagens de satélites norte-americanos sugerem que um teste é possível. Mas mesmo em Washington existe ceticismo. Com os norte-coreanos nunca se sabe. Pode ser um ardil para arrancar concessões ou conseguir ajuda, como aconteceu em 1999. Na ocasião, surgiram evidências alarmantes de que os norte-coreanos estavam escavando uma instalação para um teste. Os americanos tiveram permissão para uma inspeção depois que concordaram em dar uma assistência adicional de alimentos. Os inspetores encontraram apenas um buraco vazio. Blefes e artimanhas não fazem do cenário um mero jogo de pôquer. A ameaça é genuína. A CIA (a agência de inteligência dos Estados Unidos) estima que a Coréia do Norte tenha uma ou duas armas nucleares. No domingo, Mohammed El-Baradei, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, disse que podem ser seis. E o Centro de Estudos de Não-Proliferação em Monterey, na Califórnia, adverte que no ano que vem o arsenal poderá contar com até 11 artefatos. No entanto, o governo Bush parece ter descartado qualquer tipo de ataque preventivo contra a Coréia do Norte que, com uma retaliação com artilharia convencional, provocaria baixas maciças na Coréia do Sul. No final das contas, há um senso de inevitabilidade sobre o status nuclear de um dos países mais isolados, misteriosos, miseráveis e opressores do mundo. As negociações multilaterais emperraram e, na verdade, nunca resultaram em muita coisa. Não há reuniões desde o ano passado. Além da Coréia do Norte, as conversações contavam com a participação de EUA, China, Japão, Rússia e Coréia do Sul. Como no caso das negociações dos europeus com os iranianos, nunca houve uma aposta efetiva de Washington nesta abordagem diplomática multilateral. No contexto norte-coreano, Pequim e Seul têm sinalizado que gostariam de propostas mais específicas do governo Bush sobre os incentivos econômicos e de segurança que estaria disposto a fornecer ao regime de Kim Jong Il em troca do desmantelamento de seu programa nuclear. Em contrapartida, os americanos não conseguem convencer os países vizinhos da Coréia do Norte a intensificarem o cerco econômico e diplomático. Os dois países temem que o endurecimento possa trazer ainda mais instabilidade e perigos na região. Na terça-feira, inclusive, o governo de Pequim disse que não está disposto a impor sanções econômicas contra a Coréia do Norte, em meio às informações de que Washington solicitou a redução dos suprimentos de combustível e alimentos. De fato, estão aumentando tanto a assistência como os investimentos da China e da Coréia do Sul, os dois principais parceiros econômicos da Coréia do Norte. Na semana passada, o Wall Street Journal informou que mesmo um teste nuclear norte-coreano não iria alterar de forma radical a postura de Pequim e Seul. É um quadro de fracasso diplomático, relutância de alguns países para endurecer o cerco econômico em torno da Coréia do Norte e distanciamento americano da opção militar. Ninguém sabe exatamente o que se passa na cabeça de Kim Jong Il, mas com seus blefes, ardis e extorsões, ele está ganhando neste jogo cada vez mais perigoso. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||