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Atualizado às: 09 de maio, 2005 - 11h03 GMT (08h03 Brasília)
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Cúpula aposta em união de países em desenvolvimento

Luiz Inácio Lula da Silva
A idéia da cúpula entre a América do Sul e os árabes partiu de Lula
O Brasil recebe nesta semana delegações de 33 países para a Cúpula América do Sul-Países Árabes, um encontro criado a partir de uma proposta do governo Lula para aumentar a aproximação entre países em desenvolvimento.

A iniciativa faz parte da estratégia do governo brasileiro de defender uma aliança entre as nações do hemisfério sul para aumentar a capacidade de negociação desses países nos foros internacionais e diminuir sua dependência dos países desenvolvidos.

“A mensagem que estamos enviando ao mundo é que duas regiões podem se entender e trabalhar de forma positiva”, afirmou o embaixador Pedro Motta, diretor do Departamento de África do Ministério das Relações Exteriores.

“Se pudermos mudar um pouco a geografia econômica mundial, dar uma sacudidela, tanto melhor", acrescentou Motta.

‘Política afirmativa’

Para o economista Roberto Teixeira da Costa, um dos fundadores do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), a estratégia sul-sul do governo Lula tem duas vertentes: uma política e outra comercial.

Do ponto de vista político, Teixeira da Costa afirma que o governo brasileiro precisa ter cuidado em sua “política afirmativa” de uma maior presença do Brasil no cenário internacional para que isso “não machuque” as relações com seus parceiros.

“A liderança tem que ser conquistada não com afirmações de ufanismo, mas com uma delicadeza muito grande para que nossos parceiros, particularmente o Mercosul, se sintam envolvidos dentro desse processo e não nos vejam como alguém que está querendo ocupar um espaço que deveria ser dividido entre todos eles”, diz o economista.

Na opinião de Teixeira da Costa, o governo brasileiro precisa de “sensibilidade” para administrar os atritos com a Argentina, que tem manifestado irritação com o papel de protagonista que o Brasil assumiu na América do Sul e com a falta de equilíbrio no comércio bilateral entre os dois países.

“Temos que ter cuidado em relação a isso porque você não pode ter um parceiro, seu vizinho, em que as relações sejam desiguais, em que ele se sinta não um parceiro, mas uma filial do país”, afirma.

Quanto ao aspecto comercial da estratégia brasileira, o economista diz que a política de aproximação com os países em desenvolvimento pode trazer benefícios, desde que não interfira na relação do Brasil com parceiros como os Estados Unidos e a União Européia.

"Isso pode trazer resultados benéficos, aumentar a corrente de comércio entre esses países", comenta Teixeira da Costa.

"Por outro lado, não podemos correr o risco de abrir novas fronteiras, novos acordos, colocando em prejuízo relações tradicionais com países que continuam representando no comércio internacional uma larga porcentagem do que o Brasil pode negociar."

Mercado potencial

No ano passado, o intercâmbio comercial entre o Brasil e os países da Liga Árabe cresceu cerca de 50% em relação a 2003 – de US$ 5,4 bilhões para US$ 8,1 bilhões.

Mesmo assim, o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), Antonio Sarkis Jr., diz acreditar que ainda há espaço para mais aumento.

“Em 2004, os países que compõem a Liga Árabe importaram do mundo US$ 240 bilhões. Desse valor, apenas US$ 4 bilhões do Brasil”, afirma Sarkis. “Então, as empresas brasileiras ainda têm muito mercado a conquistar nos países árabes.”

“A nossa previsão é de que, até o final de 2007, o Brasil tenha um mercado potencial (nos países árabes) que pode chegar a US$ 7 bilhões em exportações”, acrescenta.

Atualmente, os principais produtos vendidos pelo Brasil aos países árabes são carnes, açúcar, minérios de ferro, soja e café. Já as exportações árabes para o mercado brasileiro se concentram no petróleo e nos seus derivados.

O presidente da CCAB afirma que, junto com o maior intercâmbio comercial em 2004, a pauta de produtos vendidos pelo Brasil e o número de empresas brasileiras que exportam para o mundo árabe também aumentaram.

"A gente acredita que, com essa cúpula, haja uma maior aproximação política, econômica e cultural entre as duas regiões", diz. "Com essa maior aproximação, haverá um maior fluxo econômico, e isso com certeza vai favorecer tanto as empresas nacionais como as empresas árabes."

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