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Sem Kadafi ou Assad, cúpula terá Abbas, Kirchner e Chávez | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Cúpula América do Sul-Países Árabes vai reunir em Brasília, na terça e na quarta-feira, 17 chefes de Estado ou governo das duas regiões, incluindo o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os outros 17 países que participarão do encontro serão representados por autoridades de nível ministerial. Entre os países sul-americanos, as principais ausências são os presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e do Equador, Alfredo Palácios. Já a lista de líderes árabes ausentes em Brasília inclui Muammar Kadafi, da Líbia, Bashar Al-Assad, da Síria, o príncipe Abdullah, da Árabia Saudita, Hosni Mubarak, do Egito, e o rei Abdullah, da Jordânia. Além de Mahmoud Abbas, um dos principais chefes de Estado de países árabes presentes no encontro será Jalal Talabani, o novo presidente do Iraque. As atenções também estarão voltadas para o venezuelano Hugo Chávez e para o argentino Néstor Kirchner, que visita o Brasil uma semana depois dos relatos de que estaria irritado com o “protagonismo” do presidente Lula na América do Sul. Acordo comercial Durante a cúpula, os quatro membros plenos do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) devem assinar um acordo comercial com o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês). O bloco árabe é formado por seis dos países mais ricos da região: Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes, Kuwait, Omã e Bahrein. Além da integração comercial entre países árabes e sul-americanos, a cúpula também discutirá temas políticos, mas as conclusões devem ficar restritas a um tom moderado que também deve prevalecer na declaração final do encontro. “Não temos a pretensão de apresentar soluções para conflitos no Oriente Médio”, disse o embaixador Pedro Motta, diretor do Departamento de África do Ministério das Relações Exteriores. “Qualquer posição colocada na declaração não irá além do que já foi acordado na ONU.” Declaração final O texto do documento deve evitar afirmações polêmicas e priorizar a defesa de compromissos como a busca por uma maior cooperação entre as duas regiões em diversas áreas e o combate à fome e à pobreza. “Isso não significa que vamos deixar de fora temas considerados difíceis como terrorismo, situação do Iraque e da Palestina”, afirmou Motta. A expectativa é de que a declaração inclua o apoio ao diálogo no Oriente Médio e uma condenação ao terrorismo, mas há relatos de que uma menção ao direito de um país resistir a uma invasão estrangeira também poderia ser incluída. Outro tema delicado que deve ser evitado é a presença de regimes autoritários no mundo árabe. O rascunho da declaração já está pronto, mas ainda depende da aprovação dos chanceleres das delegações que participam da cúpula. “Para eles (árabes), a visão de democracia é uma. Para nós, é outra”, afirmou o embaixador Mário Vilalva, diretor do Departamento de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores. Além da reunião de cúpula que começa nesta terça-feira, Brasília é sede desde domingo de um seminário com cerca de 800 empresários – 400 brasileiros, 200 árabes e 200 de outros países sul-americanos. Para cuidar da segurança dos eventos e dos convidados, aproximadamente 9 mil policiais e militares foram mobilizados. Durante os dias da cúpula, a Aeronáutica vai fechar o espaço aéreo sobre Brasília. |
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