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Atualizado às: 09 de maio, 2005 - 11h55 GMT (08h55 Brasília)
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EUA dizem que encontro é 'positivo' e acompanham de longe

Richard Boucher, porta-voz do Departamento de Estado
Boucher: "Atualizamos (sul-americanos) sobre a situação no Oriente Médio"
As declarações que podem afetar a retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos serão o foco dos Estados Unidos durante a Cúpula América do Sul-Países Árabes, nesta semana em Brasília, na avaliação de analistas em Washington.

O governo americano tentou na semana passada minimizar o assunto ao comentar os rumores de que a declaração final do encontro faria referências aos direitos dos palestinos.

“Não sei se eles vão usar este tipo de linguagem. Vamos ter que ver. Nós certamente discutimos o assunto com as partes envolvidas na cúpula entre os árabes e os sul-americanos”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher.

Ele lembrou que a secretária de Estado, Condoleezza Rice, discutiu a posição americana sobre o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros presidentes sul-americanos na visita que fez à região, há duas semanas.

“Nós os atualizamos sobre a situação entre israelenses e palestinos e sobre como vemos o assunto”, afirmou Boucher, que também disse que os Estados Unidos viam como positivo “o diálogo entre essas duas importantes regiões”.

Quarteto

Na visita ao Brasil, Condoleezza Rice disse que os Estados Unidos “gostariam de ver uma maior interação entre o mundo árabe e outras partes do mundo”.

Tanto Rice quanto Boucher destacaram as negociações intermediadas pelo chamado “Quarteto” (composto por EUA, União Européia, ONU e Rússia) e afirmaram que a reunião no Brasil poderia ajudar no diálogo para a paz entre israelenses e palestinos.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas participa do encontro.

O cientista político William Perry, consultor do Departamento de Estado americano e analista do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, um centro de estudos de tendência conservadora na capital americana, diz que não há preocupação em Washington com o tom da declaração “porque o Brasil sabe” o que tem que fazer.

“Imagino que o Brasil é perfeitamente consciente da necessidade de contribuir com processos positivos no Oriente Médio e ter cuidado na retórica em uma conferência deste tipo”, afirmou Perry.

“Há uma tendência positiva (sobre a paz entre israelenses e palestinos) pela primeira vez em muito tempo e seria bom reforçá-la, e não atrapalhar”, completou.

Desconforto

O cientista político egípcio Amr Hamzawy, especialista em Oriente Médio do Carnegie Endowment for International Peace, em Washington, acha muito pouco provável que os países árabes aprovem uma declaração conjunta que possa causar desconforto na relação com os Estados Unidos.

“Acho que vão fazer menções bem genéricas, porque nem mesmo entre os países da região há um entendimento comum de como eles vêem a situação do Iraque, o Hezbollah ou o Hamas. Não consigo imaginar nenhuma declaração com afirmações categóricas”, diz ele.

A ausência de alguns chefes de Estado árabes não deve ser vista como um esvaziamento da reunião, na avaliação de Hamzawy.

“Mesmo nos encontros dos países árabes nem todos os chefes de Estado participam. O importante é que mandem delegações”, diz ele.

A recusa do governo brasileiro em permitir a presença de observadores americanos no encontro, com a justificativa de que se trata de uma reunião entre duas regiões sem a participação de terceiros é vista com naturalidade em Washington, na avaliação de Perry.

'Evento público'

“Talvez pudesse ser útil para nós, mas não é obrigação do governo brasileiro”, afirma.

Para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o encontro é um evento público e qualquer pessoa poderia “ver pela televisão” as discussões e os resultados.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, não houve nem pedido nem recusa formal por parte dos dois governos, mas apenas consultas sobre o assunto, também de outros países.

“Não é praxe em encontros de duas regiões a presença de observadores de uma terceira região”, justificou um representante do governo brasileiro.

O diretor do Conselho de Assuntos Hemisféricos, Larry Birns, diz que o fortalecimento das relações entre a América do Sul e os países árabes é resultado da perda de influência dos Estados Unidos na América Latina.

“Há uma diversificação maior nas relações entre os diferentes países e blocos, que não passa pelos Estados Unidos”, diz ele.

Isso também decorre, na opinião dele, por causa da negligência com que os americanos trataram a América Latina nos últimos anos.

“Se os Estados Unidos não abrirem os olhos e adotarem uma política específica para a região vão ver que estão isolados numa região que já não dominam mais”, afirmou.

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