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Atualizado às: 02 de maio, 2005 - 10h18 GMT (07h18 Brasília)
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Conferência debate futuro de tratado nuclear em 'dilema'
Manifestantes anti-armas nucleares em Nova York
Manifestantes protestaram contra as armas nucleares em Nova York
Representantes de mais de 180 países se reúnem a partir desta segunda-feira em Nova York para revisar o Tratado de Não-Proliferação (TNP) Nuclear – um pacto firmado há 35 anos e que hoje se encontra “em um dilema”, segundo o chefe da agência nuclear da ONU.

Durante a reunião, vários países devem cobrar mais esforços dos países que já possuem armas nucleares no sentido de se livrar delas, enquanto os Estados Unidos e seus aliados devem procurar colocar o foco nos casos da Coréia do Norte e do Irã, segundo analistas.

Para o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed el-Baradei, o que se deve fazer é adaptar o tratado aos novos tempos.

“Neste momento enfrentamos um dilema”, afirmou El-Baradei, para quem os termos do acordo funcionavam em 1970, quando ele foi assinado, mas não respondem às necessidades atuais.

Segundo ele, naquela época se achava que a parte difícil do processo era criação dos armamentos, e não a produção do material físsil, que pode ser usado para desencadear uma reação nuclear, como o urânio-235.

“Agora chegamos à conclusão de que, com muitos desenvolvendo sua infra-estrutura industrial, a chave está no material físsil.”

Desarmamento

Nas discussões sobre o futuro do TNP, os países que são oficialmente detentores de armas nucleares – Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha – devem ser alvo de cobranças para que acelerem os seus processos de desarmamento.

Os críticos dizem que, até agora, estes países não cumpriram as promessas feitas neste sentido.

“Nós estamos preocupados com o seu progresso insatisfatório”, disseram, em um artigo publicado nesta segunda-feira no jornal International Herald Tribune, os ministros do Exterior de sete países – incluindo Celso Amorim, do Brasil.

Eles defendem no artigo que a melhor forma de evitar a proliferação das armas nucleares e acabar com todas elas.

No domingo, milhares de manifestantes realizaram uma marcha contra a existência de armas nucleares em frente à sede nova-iorquina da ONU.

“A única forma de evitar novas tragédias como as de Hiroshima e Nagasaki é eliminar todas as armas nucleares”, disse o prefeito de Hiroshima, Tadatoshi Akiba.

As duas cidades japonesas foram dizimadas por bombas atômicas americanas em 1945.

Irã e Coréia do Norte

Já os Estados Unidos e outros governos devem pressionar para que os programas nucleares do Irã e da Coréia do Norte sofram um maior escrutínio durante a conferência, que será presidida pelo embaixador brasileiro Sérgio Duarte.

Os americanos querem que o Irã interrompa seu programa nuclear, que o governo iraniano diz ter fins pacíficos, sob a suspeita de que ele poderia ser usado para produzir armamentos.

No final do mês passado, o Irã anunciou que poderia retomar seus trabalhos de enriquecimento de urânio.

Por sua vez, a Coréia do Norte abandonou o tratado em 2003 e declarou que já possuía bombas nucleares.

Mas o governo americano não deve pressionar por ações mais agressivas contra os norte-coreanos, pois espera que o país seja convencido a voltar para a mesa de negociações.

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