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Dez milhões de crianças morrem de doenças tratáveis, diz OMS | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Cerca de 10,6 milhões de crianças morrem antes dos cinco anos de idade por causa de doenças que têm cura, diz o novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). A edição deste ano – divulgada nesta quinta-feira para coincidir com o Dia Mundial da Saúde – é dedicada à saúde das mulheres e crianças, cuja melhora, diz a OMS, é "parte integral da (estratégia de) redução da pobreza". O documento destaca que mais de 500 mil mulheres morrem ao dar à luz todo ano porque não têm acesso ao tratamento médico adequado. "Praticamente todas essas mortes ocorrem em países de renda baixa ou média – e principalmente entre os mais pobres desses países. Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas usando conhecimento e instrumentos baratos", afirma a OMS. No Brasil, para cada 100 mil nascimentos ocorridos em 2000, 260 mulheres morreram no parto. Na Argentina, esse número foi 70 e na Austrália, 6. Em Angola, no entanto, 1,7 mil mulheres morreram ao dar à luz. Cuidados simples De acordo com a entidade, esses números podem baixar drasticamente apenas com o uso de procedimentos simples e com a adoção de uma abordagem em que a saúde da mãe e criança sejam acompanhadas da gravidez à infância do bebê. "Esta abordagem tem o potencial de transformar as vidas de milhões de pessoas", afirma o diretor-geral da OMS, Lee Jong-wook. Segundo a OMS, quase 90% de todas as mortes entre crianças abaixo de cinco anos são causadas por seis condições: condições neonatais agudas, geralmente nascimento prematuro, asfixia no nascimento e infecções (37%), infecções respiratórias, principalmente pneumonia (19%); diarréia (18%); malária (8%); sarampo (4%); e HIV/AIDS (3%). O relatório será apresentado em Genebra, Nova York e Nova Délhi durante as celebrações do Dia Mundial da Saúde, mas o evento principal de lançamento ocorerrá na cidade indiana. O documento chama atenção especial para a saúde dos recém-nascidos. Mais de quatro milhões de bebês morrem nos primeiros 28 dias de vida e, segundo a OMS, a maior parte dessas mortes poderia ser evitada com procedimentos de custo relativamente baixo. Esses procedimentos incluiriam cuidados simples como o uso de mosquiteiros, hidratação e consumo de vitamina A até a promoção da amamentação materna e do emprego de profissionais qualificados. "Para que haja uma segurança ótima, toda mulher, sem exceção, precisa de cuidado profissional qualificado ao dar à luz", afirma o relatório. Para tanto, o relatório prevê um investimento massivo nos sistemas de saúde, particularmente no emprego de mais profissionais qualificads, incluindo médicos, parteiras e enfermeiras. Em 2002, o Brasil gastou 7,9% do seu PIB (Produto Interno Bruto) com saúde. No mesmo ano, a Argentina gastou 8,9%, a Austrália, 9,5% e Angola, 5%. O relatório estima ainda que menos de dois terços nos países menos desenvolvidos e apenas um terço nos países em desenvolvimento ocorrem com a assistência de um profissional qualificado. Segundo a OMS, a presença de um profissional qualificado pode fazer a diferença entre a vida e a morte se houver complicações na saúde da mãe ou do bebê. O documento cita um estudo envolvendo 2,7 milhões de nascimentos em sete países em desenvolvimento que mostrou que apenas 32% das mulheres que precisaram de uma intervenção médica a receberam. Mais de 18 milhões de abortos são realizados todos os anos por pessoas sem as habilidades técnicas necessárias ou em ambientes precários. Pelo menos 68 mil mulheres morrem por causa de abortos mal feitos. Segundo a OMS, a exclusão de mães, crianças e recém-nascidos do sistema médico é indicador do grau de desigualdade no país. " "Em muitos países, numerosas mulheres e crianças são excluídas dos benefícios de saúde mais básicos: aqueles que são importantes para a mera sobrevivência.", diz o relatório. Segundo a OMS, em países em desenvolvimento, menos da metade das mães e dos recém-nascidos recebem cuidados, e ainda assim nem todos os que precisam. |
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