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Protesto marca 1º dia de patrulhas civis contra imigração ilegal no Arizona | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O protesto de um grupo de cerca de 30 pessoas marcou o primeiro dia do Projeto Minuteman na cidade de Tombstone, no sul do Arizona. O projeto conta com civis americanos patrulhando o deserto para encontrar e reportar à guarda fronteiriça imigrantes ilegais. Manifestantes com cartazes contra o controle de imigração, contra o Nafta (Acordo de Livre Comércio entre México, Estados Unidos e Canadá, na sigla em inglês) e a favor dos direitos humanos se concentraram em frente ao prédio no centro da cidade onde o movimento era lançado oficialmente, no início da tarde desta sexta-feira. Com um grupo tocando instrumentos e dançando temas apaches, os manifestantes capturaram a atenção dos visitantes da pequena cidade, que recebe centenas de turistas em busca do clima de “velho oeste” do lugar. “Resolvemos nos manifestar porque ninguém estava desafiando diretamente a agenda racista dos Minuteman”, disse Jonathan Shapiro, um dos organizadores do protesto. “A militarização que eles querem é um problema, não uma solução”, afirmou Shapiro, que veio da cidade de Tucson, a 120 quilômetros de Tombstone. Além do protesto, que foi barulhento porém pacífico, transcorreu sem problemas o lançamento do Projeto Minuteman, que atraiu dezenas de voluntários para a cidade. "Proteção de fronteiras" O canadense Micky Mandake é um dos que viajaram a Tombstone para apoiar o movimento. “Não sou contra imigrantes, mas sou a favor de proteger as fronteiras e terras das pessoas e contra o fato de ser impossível entrar legalmente no país porque está tão cheio de ilegais”, afirmou.
Ruth Slater, veio de Phoenix, a capital do Arizona, e aderiu ao movimento por uma razão bem pessoal. “Fui substituída por uma imigrante ilegal, do México, que eu treinei e ficou no meu lugar por um salário menor”, contou Ruth, que trabalhava como administradora de imóveis e está desempregada há um ano e meio. “Alguma coisa tem que mudar, porque esse processo de rebaixamento de salários não pode continuar”, diz ela. Mas nem todo mundo em Tombstone, a cidade sede dos Minuteman, concorda com o movimento. “Temos milhões de pessoas entrando no país ilegalmente e isso nos causa muitos problemas. Mas fechar a fronteira também não é a solução”, disse Douglas Perreault, que mora na cidade. Patrulhas Os vigilantes do Minuteman devem começar a patrulhar o deserto americano, perto da fronteira com o México, de forma mais coordenada a partir de segunda-feira. Eles devem sair em grupos de quatro a seis pessoas e formar um cerco, com homens a cada 800 metros, ao longo da divisa, no deserto. Eles vão procurar estrangeiros ilegais que estejam andando pelo deserto e avisar a guarda fronteiriça. A fronteira com o Estado do Arizona é considerada a mais porosa dos Estados Unidos, por onde passaram no ano passado 51% dos imigrantes que foram pegos entrando ilegalmente no país. Há uma cerca dividindo os dois países nos trechos mais populosos da fronteira, como uma de oito quilômetros ao longo da cidade de Nogales – os dois lados, do México e do Arizona, têm o mesmo nome. Ainda assim, pelo menos 200 pessoas são pegas pelos guardas fronteiriços todos os dias do lado americano da fronteira, a grande maioria delas mexicanos. Um estudo do Pew Hispanic Center, um centro de estudos sobre assuntos hispânicos, sediado em Washington, diz que existem hoje nos Estados Unidos 11 milhões de imigrantes ilegais, dos quais 6 milhões são mexicanos. Violência Apesar das promessas dos organizadores, existe um temor, dos dois lados da fronteira, de que a operação possa resultar em violência. “Eu sou contra o Minuteman. Eles deveriam deixar isso para a polícia. Num dado momento vai sair de controle. Cada um vai agir por conta própria e entre todos eles, nunca se sabe”, diz Mauricio Orozco, filho de imigrantes mexicanos nascido nos Estados Unidos, que vive em Tucson, no Arizona. O hoteleiro Ander Sandhu, dono de um hotel em Tumbstone, também teme que a situação fuja do controle. “O governo é quem tem que cuidar disso. Se não existem patrulhas suficientes, devemos cobrar do governo e não formar uma gangue de vigilantes e tomar as leis nas próprias mãos”, diz ele. Os vigilantes também causaram apreensão entre mexicanos que estão do outro lado da fronteira tentando passar para o lado americano e se juntar às estatísticas dos 6 milhões de ilegais que vivem no país. Claudia Mendonza, Nicolasio Campos Rodrigues e Francisco de Rover são três deles. Até a quinta-feira, estavam em Naco, no México, há 20 dias, e já haviam tentado sem sucesso passar para o lado americano seis vezes. Todas as vezes foram pegos pelos guardas fronteiriços, mas contam que não foram tratados com violência. A presença dos vigilantes os deixa com medo de que a situação mude. “Vai ser muito pior, porque eles são civis não identificados, podem disparar, matar”, diz Nicolasio. “Não são pessoas registradas, como um xerife, um patrulheiro, não vai haver controle nenhum”, acredita. |
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