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FMI diz que Brasil obteve resultados 'impressionantes'

Rato
Rodrigo Rato elogiou os bons ventos na economia brasileira
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato, apoiou a decisão do governo brasileiro de não renovar o acordo com a instituição, que vence dia 31 deste mês.

"A decisão das autoridades reflete os resultados impressionantes, geralmente além das expectativas, das políticas de reformas e estabilização macroeconômica apoiadas pelo atual programa”, afirmou Rato num comunicado divulgado nesta segunda-feira, poucas horas após o anúncio do Ministério da Fazenda.

O comunicado do diretor do Fundo ainda cita o crescimento acima de 5% da economia no ano passado, a queda da inflação, a elevação para “níveis confortáveis” das reservas internacionais, o aumento dos investimentos e o superávit na balança comercial e nas contas correntes.

O diretor do Fundo diz ainda que a política fiscal contribuiu para reduzir o nível e melhorar a estrutura da dívida pública e ajudou a preservar a estabilidade macroeconômica, enquanto os esforços do setor privado para melhorar os balanços das empresas levaram a uma redução do endividamento externo.

“Esses desenvolvimentos reduziram significantemente as vulnerabilidades econômicas e aumentaram a confiança na economia”, afirma.

“As autoridades estão comprometidas com a continuidade da agenda da reformas”, disse Rato.

O secretário do Tesouro americano, John Snow, também elogiou a decisão do governo brasileiro.

“É uma notícia incrível, um sinal das conquistas financeiras do país e o crédito vai para o presidente Lula”, declarou Snow num comunicado entusiasmado, citando o crescimento da economia no ano passado, a redução da inflação e da relação dívida-Pib e o crescimento das exportações.

Ele disse que a decisão mostra “que bons resultados podem ser alcançados quando boas políticas são colocadas em prática”.

O secretário do Tesouro americano também se disse “impressionado” com a agenda estabelecida pelo governo Lula para reduzir ainda mais as vulnerabilidades e garantir um crescimento robusto da economia, como a reforma da lei de falências e do Judiciário, simplificação fiscal e desenvolvimento da infra-estrutura.

Histórico

A partir de abril, será a primeira vez que o Brasil não terá um programa com o FMI em sete anos.

O acordo atual, fechado em setembro de 2002, colocou à disposição do Brasil US$ 42,1 bilhões, dos quais o país sacou US$ 26,4 bilhões.

Apesar de não ter sacado recursos no acordo stand by que fez em 2003, o país é o maior devedor do Fundo, com uma dívida de US$ 24,6 bilhões, e as contas do país tinham que ser aprovadas a cada três meses.

Agora, mesmo sem acordo, o governo promete continuar seguindo superávit necessário para pagar a dívida que hoje é de 51,3% do Pib.

A valorização do real diante do dólar permitiu ao Banco Central nos últimos meses comprar dólares para reforçar as reservas internacionais e diminuir o risco de ser afetado por uma crise internacional.

Mesmo descontando os recursos reservados para o pagamento da dívida nos próximos anos, as reservas somam hoje cerca de US$ 40 bilhões, o nível mais elevado dos últimos anos.

Reação

No mercado financeiro, a notícia da não renovação do acordo foi recebida sem surpresa. “O mercado já esperava essa decisão, que vinha sendo antecipada por vários membros do governo”, diz o economista-chefe do HSBC para a América Latina em Nova York , Paulo Vieira da Cunha.

Os analistas também acreditam que o governo deve manter as mesmas políticas que vem adotando até agora, mesmo não sendo mais obrigado por contrato.

“O Brasil tem que começar a pagar essa dívida. É importante para realmente testar as instituições”, disse Vieira da Cunha.

O economista para o Brasil do Banco BNP-Baripas, Alexandre Lintz, acha que o governo já demonstrou que tem “um claro compromisso com a política fiscal”. “É uma decisão que tinha que ser tomada cedo ou tarde”, afirmou.

“É um bom sinal”, disse o chefe de pesquisa para América Latina do banco West LB, Ricardo Amorim. “Isso manda a mensagem de que o Brasil pode se sustentar com as próprias pernas e que as atuais políticas econômicas são políticas do governo e não imposição do FMI”, afirmou.

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