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Neta de Mussolini faz greve de fome contra exclusão de seu partido | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A deputada Alessandra Mussolini está fazendo greve de fome para protestar contra a exclusão de seu partido das próximas eleições regionais italianas de abril. Segundo o tribunal eleitoral, Alessandra, neta do ex-líder Benito Mussolini, teria apresentado assinaturas falsas para registrar seu movimento político – Alternativa Social, de inspiração fascista. Das 4,3 mil assinaturas examinadas pela polícia judiciária depois da denúncia de um partido adversário, 860 estariam irregulares. Segundo seus acusadores, ela teria organizado o esquema com a colaboração dos partidos de esquerda, tendo como objetivo comum tirar votos dos outros partidos de direita como a Aliança Nacional, do qual ela fazia parte. Fascismo Alessandra abandonou no ano passado a Aliança Nacional, que está na coalizão do governo, depois que seus ex-companheiros, em visita a Jerusalém, definiram o fascismo como “mal absoluto”. Segundo ela, os princípios do fascismo ainda são válidos, mas mantêm posições abertas quanto à relação de homossexuais, inseminação artificial e direitos das mulheres. Antes de entrar na política, Alessandra foi atriz, como sua tia Sofia Loren, e se considera muito mais “acesa” em certas lutas do que as feministas históricas da esquerda que, em sua opinião, tornaram-se “donas de casa pacíficas”. Com elas, porém, estreitou laços de amizade ao longo de batalhas comuns no Parlamento, apesar de posições políticas opostas. Escândalo O caso das assinaturas falsas envolvendo Alessandra Mussolini cresceu e está se tornando um verdadeiro escândalo na Itália. Depois de Roma, os tribunais estão investigando outras regiões e diversos partidos políticos. "Ela é uma analfabeta nesse tipo de coisa”, afirmou sem rodeios Marco Pannella, veterano de greves de fome, fundador do Partido Radical, líder de históricas batalhas a favor do aborto e do divórcio. Segundo Pannella, que há tempos denuncia esse tipo de irregularidade, "todas as forças políticas fazem isso, com a colaboração de todos os poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, e das autoridades que devem controlar e tutelar a legalidade constitucional”. Complô De sua parte, os partidos de esquerda desmentem que tenha havido qualquer acordo e dizem que se trata de um problema interno dos partidos de direita. O Alternativa Social poderia levar de 4% até 9% nas eleições e, desta forma, condicionar a vitória de uma ou outra coalizão. Segundo a deputada, o caso das assinaturas falsificadas é um complô político. “Um plano foi estudado nos mínimos detalhes, com antecedência, por um dos candidatos de centro-direita. Nós perturbamos com o meio milhão de votos que conseguimos nas eleições européias”, disse em entrevista ao jornal Corriere della Sera. O partido de Alessandra Mussolini entrou com recurso no Tribunal Regional de Lazio. O parecer deve sair até sexta-feira. Enquanto isso, a deputada vai continuar a greve de fome que é, em sua opinião “uma batalha pela democracia”. |
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