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Na ONU, Brasil se opõe à emenda antiaborto | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Brasil faz parte do grupo de países que se opõem à tentativa do governo americano de criminalizar o aborto na declaração final do encontro “Revisão e Avaliação da Declaração de Pequim,” que acontece até o dia 11 de março na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Há dez anos, numa decisão hoje considerada um marco na história da emancipação feminina, a ONU adotou uma plataforma de ação que, apesar de não reconhecer o aborto como um direito, recomenda que seus países membros não criminalizem as mulheres que o façam. Em entrevista exclusiva à BBC Brasil, Nilcéa Freire, que representa o Brasil no encontro da ONU, disse que “a nossa posição é de reafirmação integral da plataforma. Nem um passo atrás.” De acordo com Nilcéa, que dirige a Secretaria Especial de Direitos das Mulheres (SEDM), um órgão do governo federal, “os Estados Unidos vão forçar até o último minuto a passagem desta emenda, mas eles têm pouco apoio.” Cristãos conservadores Apenas o Vaticano, que é um estado membro das Nações Unidas, tem apoiado publicamente a emenda americana, que favorece a base cristã conservadora que apóia o presidente George W. Bush. Nos Estados Unidos, com o apoio da Casa Branca, os cristãos conservadores tentam reverter uma lei federal que autoriza o aborto. Já no âmbito da ONU, além do Brasil e França, a maioria dos países da União Européia também se opõem à emenda americana. Para demonstrar seu insatisfação com a iniciativa americana, cerca de 30 organizações não governamentais (ONGs) escreveram uma carta à secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, reivindicando que Washington mantenha seu compromisso com os direitos da mulher globalmente. Lei brasileira Apesar da postura na ONU a favor da descriminalização do aborto, a prática é ilegal no Brasil. Nilcéa Freire diz que a SEDM pretende iniciar uma série de debates públicos sobre a descriminalização do aborto no país. “Este é um clamor da sociedade e sobretudo das mulheres. Assim que voltarmos ao Brasil vamos criar uma comissão para discutir a questão,” disse. |
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