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Brasil e EUA dizem que há 'avanços' na Alca | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Representantes dos governos brasileiro e americano consideraram "construtiva" a reunião desta semana em Washington para tentar destravar as negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e disseram que houve "avanços". Mas, apesar das declarações positivas dos dois lados, nenhum deles deu exemplos de passos concretos de avanço. A reunião aconteceu em Washington na terça e quarta-feira desta semana, mas os dois lados só divulgaram os resultados nesta quinta-feira. "Foi muito positiva, muito construtiva", afirmou o embaixador brasileiro Adhemar Bahadian, co-presidente do processo negociador junto com o embaixador americano Peter Algeier, que também ocupa interinamente o cargo de representante (uma espécie de ministro) de Comércio dos Estados Unidos. Bahadian disse que dos cinco principais pontos de impasse entre os dois lados, em pelo menos dois – redução das barreiras aos produtos agrícolas e propriedade intelectual – deve haver avanços na próxima reunião, dias 29 e 30 de março, também em Washington. Perspectiva O porta-voz do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Richard Mills, em entrevista coletiva duas horas depois das afirmações do embaixador brasileiro, também disse que a reunião foi "construtiva". "Algumas dificuldades foram estreitadas", afirmou, recusando-se a detalhar para a imprensa pontos específicos em negociação. "Há muito trabalho a ser feito, mas existe um movimento e estamos indo na direção certa", afirmou Mills. "Há no horizonte acenos de que é possível se chegar a um acordo", disse Bahadian. O embaixador brasileiro reconheceu que existe uma "fadiga" nas negociações para a criação do bloco, que estavam paradas desde maio do ano passado. Isso se deve, segundo ele, porque depois de 12 anos ainda não existem propostas claras do que está em negociações. Ele comparou a criação da Alca com a negociação de acordo comercial entre Mercosul e União Européia, que, segundo ele, também enfrenta dificuldades, mas pelo menos é possível mostrar para a sociedade o que está sendo negociado. Os Estados Unidos voltaram a recusar a proposta brasileira de negociar um acordo do país com o Mercosul, o chamado 4 + 1, e insistiram em continuar com a negociação única com os 34 países da região – todos do continente americano menos Cuba. A mesma resposta já havia sido dada na reunião entre o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o então representante de Comércio americano, Robert Zoellick, na reunião que os dois tiveram em Davos, na Suíça, no fim de janeiro. Dinamismo O embaixador Bahadian diz que o Brasil vai continuar negociando em conjunto, mas continua acreditando que um acordo entre Mercosul e Estados Unidos, para acesso mútuo aos mercados, daria mais dinamismo para as negociações. "Estamos dando um pouco mais de tempo para ver se fechamos o acordo desta maneira. Se não fecharmos, teremos que passar de qualquer maneira para a negociação de acesso a mercado. Ou então, o que seria lamentável, ficarmos numa discussão sei lá por quanto tempo sem passarmos por negociações concretas", afirmou Bahadian. As dificuldades na negociação continuam as mesmas e, na opinião de analistas, parecem intransponíveis. O Brasil insiste que os Estados Unidos precisam acabar com os subsídios agrícolas, e os Estados Unidos não abrem mão de leis mais rígidas no Brasil sobre propriedade intelectual. |
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