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Atualizado às: 23 de fevereiro, 2005 - 17h10 GMT (14h10 Brasília)
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'Igreja quer usar diabo pra espalhar o medo', diz satanista italiano

O satanista italiano Marco Dimitri
Para líder de seita, Vaticano não vai conseguir barrar atividades satânicas
O satanista mais famoso da Itália, Marco Dimitri, disse em uma entrevista à BBC Brasil que o Vaticano e o Estado italiano estão usando a idéia do diabo para espalhar o medo no país.

“A Igreja quer espalhar o medo, usando a imagem do satanás deles, um satanás que não existe nem mesmo na Bíblia. Querem fazer entender que há uma personificação do mal, mas isso não é verdade”, afirma ele.

Dimitri argumenta que tanto igreja como governo estão perdendo tempo e dinheiro lutando para barrar o crescimento “das forças obscuras no país”.

Recentemente o tema se tornou corrente na imprensa italiana, com destaque para a condenação de membros de uma banda por “assassinatos em rituais satânicos” e a criação pelo Vaticano de um curso de exorcismo.

Para o satanista, o curso do Vaticano “é um sinal de desespero”.

Para Dimitri – que já esteve preso durante um ano e meio e acabou sendo inocentado das acusações de estupro, profanação de cadáveres e de ter usado um menino de três anos num ritual satânico – as pessoas que combatem o satanismo na Itália têm problemas psíquicos e estão em perigo, porque são comandadas pelos exorcistas.

“Não existe a possessão do mal numa pessoa”, diz. “A desculpa está sendo utilizada para espalhar o terror, para incrementar nas pessoas o medo do diabo. É uma forma de terrorismo.”

Bambini

Aos 42 anos, Dimitri é presidente da seita Bambini di Satana (meninos de Satanás), criada por ele em Bolonha, no norte do país, em 1982, e considerado o único grupo satânico italiano a agir abertamente.

De acordo com ele, os outros grupos não trabalham como eles por medo de serem perseguidos, ou presos.

A Bambini conta com uma página na Internet, na qual trabalha como canal de informação e associação cultural. Ensina rituais de magia, que materiais e roupas devem ser utilizados, quem são os demônios.

Além de divulgar suas idéias, mostra o ponto de vista daqueles que combatem o satanismo na Itália, dizendo por que eles estão equivocados. O site também vende camisetas, medalhas, revistas e livros.

“Somos satanistas, mas não somos sagazes do mal. Somos as eternas crianças de satanás, porque satanás é antimoral por excelência”, disse. “Satanás não é o mal. É a consciência de si mesmo.”

Ele se considera perseguido e odiado pelo Vaticano, porque expõe publicamente suas idéias e é visto por milhões de pessoas.

Segundo Dimitri, as recentes condenações dos integrantes da Bestas de Satanás, grupo satânico que causou comoção no país, depois de revelarem que teriam assassinado pelo menos três de seus integrantes e levarem ao suicídio um outro, não impedirá o crescimento do satanismo no país.

“Os integrantes da Bestas tiveram problemas com drogas”, afirma. “Eu sou um satanista, mas não posso dizer que eles sejam satanistas. Não vejo nenhuma forma cultural no modo que eles operam. Eles integram um tipo de satanismo proposto pela Cúria. Como não agem em nome de Deus, não se pode dizer que a Igreja é assassina”.

Dimitri diz que seu grupo conta com 1,2 mil integrantes, todos italianos, homens e mulheres maiores de 18 anos. Para ele, 2004 foi um ano muito bom e 2005 deve ser ainda melhor para divulgar o trabalho da sua seita.

Segundo o presidente da Bambini di Satana, o Vaticano precisa preocupar-se com o crescimento do paganismo.

Na avaliação de Dimitri, a Igreja não está sendo inteligente em tentar obstruir o trabalho dos satanistas. Deveria agir sem desespero e entender por que perde força em nível filosófico.

A Bambini, de acordo com ele, professa o satanismo puro e não oferece qualquer perigo.

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