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Derrota na Câmara ofusca visita de Lula à Guiana | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A eleição do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara dos Deputados surpreendeu a comitiva do governo que acompanha a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Guiana. Cavalcanti derrotou o candidato do governo, o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), em uma disputa que terminou apenas na madrugada desta terça-feira. Lula foi informado sobre o resultado pela manhã, antes de partir para os compromissos de sua agenda em Georgetown. Depois de receber a notícia da derrota na Câmara, o presidente manteve contatos com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o secretário de Coordenação Política, Aldo Rebelo, para acompanhar os desdobramentos da eleição de Cavalcanti. Ato democrático Um dos primeiros membros da comitiva brasileira a comentar publicamente o resultado da votação na Câmara foi o ministro da Educação, Tarso Genro. De acordo com o ministro, a eleição de Cavalcanti foi o resultado de um “ato democrático” e, por isso, o governo deve fazer uma leitura do ocorrido e respeitar a decisão da Câmara. “É um ato de vontade política da Câmara, que tem que ser compreendido por toda a sociedade, e o Executivo obviamente assim o fará”, disse Genro. “Tem que ser compreendido com respeito e dentro do nível de qualidade das relações institucionais do processo democrático", acrescentou. O ministro da Educação admitiu, no entanto, que ficou surpreso com a derrota de Greenhalgh, mas disse que a relação do governo com a base aliada no Congresso não deve mudar. “Eu particularmente estou surpreso, porque por todas as informações que circulavam na imprensa, e pelas informações que a gente tinha, o presidente da Câmara seria o Luiz Eduardo ou o Virgílio (Guimarães, PT-MG)”, disse Tarso Genro. Visita oficial Nesta terça-feira, Lula se encontrou com o presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo. Após a reunião, os governos dos dois países assinaram três acordos de cooperação, incluindo parcerias nas áreas de saúde e educação. Ao final do encontro, o presidente assumiu o compromisso de agilizar o término da construção da ponte internacional sobre o rio Tacutu, na fronteira entre Roraima e a Guiana. A obra foi interrompida em 2001, quando o Tribunal de Contas da União Lula disse que o governo federal está adotando medidas para atender às exigências do TCU para que a obra seja retomada. "Definitivamente, não haverá integração política, cultural e comercial, se não houver integração física", afirmou o presidente. Após a reunião com Jagdeo, Lula anunciou que o Brasil vai atender um pedido do governo da Guiana para enviar ao país médicos, especialistas em leptospirose. A Guiana vive atualmente um surto da doença provocado pela contaminação dos mananciais causada pelas grandes enchentes que atingiram o país na segunda quinzena de janeiro. O presidente disse ainda que o Brasil reafirmou à Guiana que a disputa com a União Européia sobre o comércio de açúcar "diz respeito aos subsídios à exportação, e não às preferências de que gozam os países do Caribe". |
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