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Atualizado às: 08 de fevereiro, 2005 - 21h35 GMT (19h35 Brasília)
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Cubanos desafiam proibição de fumo em locais públicos

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Ao entrar em qualquer bar, restaurante ou hospital em Havana, é difícil perceber que Cuba é um dos países que recentemente decidiu seguir a tendência global de proibir o fumo em locais públicos.

A resolução do governo sobre o assunto é clara: é proibido fumar em locais públicos fechados; é proibido vender cigarros em um raio de 100 metros ao redor de escolas; é proibido utilizar máquinas de venda de cigarros.

No entanto, até o momento, a realidade vem se provando bem diferente disso.

Nos restaurantes turísticos de Havana, os cinzeiros desapareceram de algumas das mesas, enquanto pequenos cartazes escritos a mão indicando a "área de fumantes" pipocaram pelas paredes.

No entanto, muitos dizem estar desprezando abertamente a nova lei.

Julio, um artista cubano, afirma – enquanto acende um Hollywood cubano – que há quatro coisas que ele se recusa a abandonar na vida: a arte, o rum, as mulheres e o tabaco.

Os cubanos já estão acostumados a ver a influência do governo em quase todos os aspectos das suas vidas.

É o Estado que decide quem pode se mudar, comprar um carro ou viajar.

Paciência no fim

No entanto, ao mexer com um prazer que muitos vêem como sagrado – o de fumar – o governo esgotou a paciência de algumas pessoas.

"Vamos ter muitos problemas com isso", diz Pedro, um técnico de aeronáutica aposentado.

"Se estiver em um bar com a minha cerveja, e alguém me disser que eu não posso fumar vou enlouquecer."

Para Pedro, viver no "melhor país do mundo para charutos" e não poder fumar é "insano".

Alguns, entretanto, não acham a idéia tão ruim.

"A fumaça realmente me incomoda", afirma Josefa Rodríguez, cozinheira do hospital Calixto Garcia, em Havana.

"As pessoas fumam na cozinha, na sala de jantar, em qualquer lugar. Os pacientes fumam nos quartos. Eu não gosto disso. Não está certo."

Saúde pública

Cuba se orgulha de ter alguns dos melhores índices de saúde pública do mundo.

Os índices de mortalidade infantil no país competem com os dos países mais ricos do planeta. A expectativa de vida chega a 76 anos.

Alguns acreditam que Fidel Castro, hoje com 78 anos, que largou o vício do charuto há quase 20 anos, está decidido a aumentar o índice ainda mais.

A proibição do fumo seria uma das medidas para isso.

Se este for o caso, Fidel vai bater de frente com a cultura cubana. Conta-se que teria sido em Cuba, em 1492, que o navegador Cristóvão Colombo viu, pela primeira vez, alguém fumar uma folha de tabaco.

Apesar da proibição do fumo, o governo ainda não tocou no subsídio ao cigarro no país – que produz milhões de charutos por ano.

Todo cubano com mais de 50 anos tem direito a três maços de cigarro por mês por apenas cerca de US$ 0,07 (mais ou menos R$ 0,18) por maço.

Talvez isso seja um sinal de que ainda há um longo caminho a percorrer até que Cuba se transforme em refúgio dos antitabagistas.

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