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Bush usa discurso do Estado da União para pressionar Irã e Síria | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente americano, George W. Bush, disse que, para promover a paz no Oriente Médio, é preciso confrontar regimes que continuam a "esconder terroristas" e buscam armas de destruição em massa. "O Irã permanece o principal patrocinador do terrorismo, buscando armas nucleares e privando a sua população da liberdade que eles buscam e merecem", afirmou Bush, no seu discurso do Estado da União, na terça-feira à noite, no Congresso americano. Num discurso de 53 minutos, Bush foi muito aplaudido a maior parte do tempo, mas também enfrentou momentos de desaprovação às suas políticas não apenas de democratas, mas também de deputados e senadores do seu próprio partido - quando citou projetos que enfrentam oposição. Bush disse que o governo americano está trabalhando com os europeus para convencer o regime iraniano a interromper seu programa nuclear e abandonar "o apoio ao terror", ao mesmo tempo em que mandou uma mensagem à oposição ao governo iraniano que, segundo Bush, vem crescendo nos últimos anos. “Os Estados Unidos estão ao seu lado na sua luta pela liberdade", afirmou o presidente. Síria O presidente também acusou a Síria de permitir que "o seu território, e partes do Líbano, sejam usados por terroristas que buscam destruir toda chance de paz na região". Bush usou um tom mais suave, mas também cobrou reformas de dois aliados no Oriente Médio: Arábia Saudita e Egito. “O governo da Arábia Saudita pode demonstrar sua liderança ao ampliar o papel do povo em determinar seu futuro. E a grande e orgulhosa nação do Egito, que mostrou ao mundo o caminho da paz no Oriente Médio, agora pode mostrar o caminho em direção à democracia no Oriente Médio”, disse o presidente. Sobre a Coréia do Norte, outro país sempre citado como fonte de preocupação em relação a seu programa nuclear, Bush disse que estava trabalhando junto com outros governos na Ásia, “para convencer a Coréia do Norte a abandonar suas ambições nucleares”. Analistas se mostraram surpresos com o tom usado pelo presidente ao se referir ao Irã e à Síria. O jornal The New York Times disse que Bush apresentou uma “ousada agenda doméstica e externa.” Iraque Segundo o presidente americano, a nova situação política do Iraque, que teve eleições no domingo, inaugurou uma nova fase na região. Bush resistiu à pressão, que vem aumentando na opinião pública americana nos últimos dias, para determinar uma data para a retirada das tropas americanas do Iraque. “Não vou estabelecer um cronograma artificial para deixar o Iraque. Isso poderia incentivar os terroristas e fazê-los acreditar que eles podem esperar até que deixemos o país”, afirmou. O presidente também prometeu maior envolvimento americano no conflito entre israelenses e palestinos Oriente Médio, e prometeu US$ 350 milhões à Autoridade Palestina para reformas políticas, econômicas e de segurança. Bush voltou a reafirmar seu compromisso de trabalhar para a criação de um Estado palestino ao lado de Israel. “ O objetivo de dois Estados democráticos, Israel e Palestina, convivendo lado a lado em paz é possível de ser atingido – e os Estados Unidos vão ajudar a atingir este objetivo", disse o presidente. O economista Albert Fishlow, diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia, em Nova York, acha que o discurso marca a intenção de Bush de estabelecer a região como uma prioridade do segundo governo. “Agora, depois das eleições no Iraque, acho que ele vai concentrar a atenção no Oriente Médio”, afirmou. A líder do Partido Democrata na Câmara dos Representantes, Nanci Pelosi, cobrou do presidente, na resposta no discurso que fez depois do pronunciamento de Bush, uma data para a saída do Iraque. “Nunca tivemos um plano para esta administração acabar com a nossa presença no Iraque e não ouvimos um hoje”, afirmou Pelosi. Veio da líder democrata também a única referência à América Latina. “Devemos estender a mão da amizade aos nossos vizinhos da América Latina”, afirmou. Previdência A primeira parte do discurso foi dedicada aos assuntos domésticos, principalmente sobre os planos de Bush de reformar o sistema de previdência social, com a privatização de parte das contas de aposentadoria. Segundo o presidente, este sistema está "falido". Bush deu uma longa explicação sobre os seus motivos para reformar o sistema. Foi o momento em que as diferenças entre os partidos Democrata e Republicano ficaram mais claras. Bush não só não foi aplaudido pelos democratas, como muitos gritaram “não, não” quando ele disse que o sistema estava em crise. Na avaliação do jornal Washington Post, a reforma da previdência será a batalha mais difícil do presidente, que tentou apresentar o projeto como menos arriscado e mais responsável, do ponto de vista fiscal, do que os críticos vinham anunciando. Além da oposição unânime dos democratas, o presidente enfrenta oposição na reforma da previdência também de moderados do próprio partido. Bush garantiu que nenhuma mudança vai atingir quem tem mais de 55 anos, que terá direito ao benefício no sistema atual, e que qualquer mudança será gradual. Ele também disse que está disposto a analisar todas as propostas, de membros dos dois partidos, mas não convenceu os democratas. "O plano de Bush vai adicionar outros US$ 2 trilhões na nossa dívida já recorde de US$ 4,3 trilhões. É um peso imoral para colocar nas costas da próxima geração", afirmou o senador democrata Harry Reid, líder da oposição no Senado, num pronunciamento em resposta ao discurso do presidente. O presidente também reafirmou a promessa de reduzir pela metade até 2009 o déficit fiscal atual, ao mesmo tempo que vai tornar permanente o corte de impostos promovido em 2000. Bush também quer limitar o valor de indenizações judiciais para vítimas de erro médico, introduzir nova legislação para facilitar a concessão de vistos de trabalho a estrangeiros e reduzir e simplificar a carga tributária para pequenas empresas. Fishlow acha difícil cumprir a promessa fiscal. “Ele começou falando em reduzir despesas, mas ao longo do discurso foi enumerando novos programas, que vão precisar de dinheiro”, afirmou. Convidados O presidente citou alguns dos convidados especiais no camarote da primeira-dama para o discurso: uma eleitora iraquiana e os pais de um soldado morto em combate no Iraque – estes mereceram o aplauso mais longo da noite, de todo o Congresso em pé, quando foram anunciados por Bush. Vários congressistas republicanos tinham o dedo manchado de tinta azul, como o dos eleitores iraquianos, segundo eles em sinal de solidariedade ao risco que o povo iraquiano teve que correr para votar. |
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