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Exposição em Londres mostra mil anos de arte turca | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Com todos os olhos postos na Turquia neste ano, que vai marcar a abertura das negociações para a sua entrada na União Européia, este parece ser o momento perfeito para a maior exposição de todos os tempos sobre a cultura e a arte turca. A exposição, que começou no dia 22 de janeiro e permanece até o dia 12 de abril na Royal Academy de Londres, é também a primeira exposição do museu sobre arte islâmica em 70 anos. Mas a mostra chamada Os Turcos: Uma Viagem de Mil Anos, 600 a 1600 é tão abrangente que estes dois fatores, o islamismo e a Europa, nem foram tomados em consideração pelos organizadores. A exposição traça a passagem de quatro dinastias, desde os pouco conhecidos uighurs, nômades do oeste da China, até o Império Otomano, que durante o seu auge chegou às portas de Viena e mais tarde deu origem ao Estado moderno da Turquia. Diversidade artística A exposição capta vários momentos de uma civilização vasta e difícil de catalogar, que construiu vários impérios numa "tempestade de cavalgadas", nas palavras de um historiador. Ao longo da sua trajetória, os turcos absorveram culturas persas e árabes. A influência chinesa também é visível na exposição. Mas o papel dos turcos ainda hoje é mal compreendido, e pouca gente tem consciência da sua diversidade artística. "Eu gosto de pensar que, uma vez vista a exposição, o visitante entra em pânico só de pensar no pouco que conhece", disse o professor David Roxburgh, da Universidade Harvard, um dos curadores da mostra. Objetos nunca antes expostos A exposição, que demorou um ano a ser organizada, é um colaboração entre Roxburgh e os diretores dos dois principais museus de Istambul. Foi financiada, em parte, pelo governo turco. Estão expostos mais de 350 objetos vindos de 11 países diferentes, numa variedade extraordinária de tecidos, tapeçarias, manuscritos, caligrafia, madeiras talhadas, metais trabalhados e cerâmicas. O ponto de partida é a Ásia Central, com artefatos que representam a mistura de influências culturais e religiosas da rota da seda. Muitos dos objetos datam da época dos uighurs, que governavam a região durantes os séculos 8 e 9.
A exposição passa em seguida ao século 11 para a época da dinastia dos turcos seljúcidas, que acompanharam grandes desenvolvimentos artísticos e conversões em massa para o islamismo. Um dos maiores destaques da mostra é uma coleção de pinturas do século 14 retratando a vida dos nômades e pintadas pelo famoso Muhammad Siyah Qalam, o Muhammad da Caneta Preta. Essas imagens enigmáticas, com expressões selvagens, estão entre os objetos mais valiosos do Museu do Palácio Topkapi, em Istambul, e algumas nunca foram expostas ao público, nem mesmo na Turquia. A arte do Império Otomano surge apenas nas últimas três galerias de exposição. Essa foi a época em que os turcos finalmente tomaram contato com a Europa. Foi sob o governo de Solimão, o Magnífico, que os otomanos alcançaram o seu apogeu, tanto em termos militares como artísticos. Novos avanços foram feitos na cerâmica e na caligrafia.
Capital islâmica A estranha relação entre os turcos e os europeus aparece pouco na exposição. A influência européia foi de mais importância durante o reinado de um dos sultões anteriores, Mehmed II, que ironicamente foi o responsável pela conquista de Constantinopla. Mas a Europa não foi um tema considerado importante pelos curadores da exposição. "Se fosse uma exposição voltada para o relacionamento da Turquia com a Europa, por que começaríamos na China?," disse o professor Roxburgh. Norman Rosenthal, responsável pelas exposições da Royal Academy, diz que o papel do islamismo é de grande importância e que a capital do Império Otomano foi, em muitos aspectos, a capital da cultura islâmica. Meca, a cidade mais sagrada dessa religião, foi controlada por Istambul durante vários séculos. "É em grande parte uma mostra de arte islâmica, mas essa não foi a razão da exposição," Rosenthal explicou à BBC. "Nós fizemos esta exposição porque quisemos contar uma história, usando estes objetos de uma beleza invulgar." |
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