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Casal conta como se conheceu entre horrores de Auschwitz | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O campo de concentração nazista de Auschwitz, na Polônia, é um símbolo dos horrores da Segunda Guerra Mundial, mas, para pelo menos um casal, ele é também o lugar onde começou uma longa história de amor. David e Petra Szumiraj se conheceram quando eram prisioneiros no notório centro de extermínio, apaixonaram-se apesar de não poder conversar um com o outro e se casaram após a guerra, apesar de terem perdido contato depois da liberação de Auschwitz. Eles vivem juntos há 59 anos, e há 58 em Buenos Aires, na Argentina. Petra ainda não consegue falar sobre sua experiência em Auschwitz, mas o aspecto sorridente de David torna difícil adivinhar os horrores que presenciou nos anos 1940. O número 145086 impresso em seu braço remete porém ao fato de que ele escapou de 19 processos de seleção durante sua estadia em Auschwitz. Os prisioneiros mais fortes eram selecionados para trabalhar, e os mais fracos, para as câmaras de gás. Olhares Ele conta que, após uma dessas seleções, foi enviado para trabalhar em uma plantação de batatas, onde lhe chamou a atenção uma jovem que trabalhava na lavagem dos legumes.
"Não podíamos conversar, então apenas nos olhávamos nos olhos", lembra o ex-prisioneiro. David conta que os dois não tiveram nenhum outro tipo de contato até o dia em que os alemães anunciaram que homens e mulheres seriam retirados de Auschwitz separadamente. 'Quando chegamos naquela manhã, andamos os 25 metros que nos separavam no meio da plantação, e começamos a conversar", diz ele. "Por meio dos contatos dos nossos olhos, já sabíamos que havíamos achado a pessoa amada. Então nos demos as mãos, nos abraçmos, nos beijamos pela primeira vez, e sentimos que havíamos sido feitos um para o outro." Separação Quando o Exército da União Soviética estava prestes a entrar em Auschwitz, os 50 mil prisioneiros remanescentes foram levados para territórios ainda controlados pelos nazistas, no que ficou conhecido como "a marcha da morte". O trem em que David estava sendo transportando – em vagões sem telhado, sob forte neve ("O que nos ajudou, porque juntamos a neve para comer") – acabou sendo bombardeado por aviões britânicos, e ele e outros prisioneiros se refugiaram em um bosque. David pesava então 38 kg. Faminto e exaurido, ele teve que se alimentar de grama para sobreviver. David diz que até hoje não consegue comer alface. Eventualmente foi resgatado por tropas americanas, e a partir daí começou a trabalhar com o Exército americano como tradutor. Reencontro Por muito tempo, David não conseguiu saber nada sobre o paradeiro de Petra e nem mesmo se ela estava viva. Certa feita, porém, um amigo foi a um campo de refugiados em Hamburgo e voltou com notícias de sua amada. "Ele me contou que Petra tinha perguntado: 'David está vivo? E ele me ama? E quer casar comigo?'", lembra ele. Em seguida, Petra viajou para a base militar onde David estava, e o reencontro foi emocionante. "Ela pulou de trás de uma árvore atrás da qual havia se escondido. Nós nos olhamos e choramos. Então rimos, e foi como nos reencontramos", conta o ex-prisioneiro. Os dois se casaram e foram viver em Paris, onde tiveram sua primeira filha, mas logo decidiram se mudar para a Argentina, onde os sobreviventes da família de David – 42 parentes seus morreram no Holocausto – haviam se estabelecido. Para entrar na Argentina, cujas fronteiras haviam sido fechadas a imigrantes judeus pelo então presidente Juan Perón, eles tiveram de ir até o Paraguai e contratar os serviços de um contrabandista de pessoas. Era o dia 12 de março de 1947. Desde então, a família vive em Buenos Aires. |
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