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Atualizado às: 25 de janeiro, 2005 - 09h52 GMT (07h52 Brasília)
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Futuro da economia divide brasileiros, indica pesquisa
São Paulo
Pesquisa foi feita em São Paulo e outras sete capitais
O grupo de otimistas está tecnicamente empatado com o dos pessimistas quando o assunto é o futuro da economia brasileira, indica uma pesquisa encomendada pela BBC.

No levantamento feito pela empresa GlobeScan em parceria com a Universidade de Maryland, 43% dos entrevistados disseram acreditar que a situação econômica do país vai melhorar e outros 43% disseram esperar uma piora.

Dos 22 países pesquisados, os brasileiros aparecem na 12ª posição no ranking de otimismo. Em primeiro lugar, está a China, com 88% dizendo esperar uma melhora nas condições econômicas internas, e em último, o Líbano, onde apenas 7% dos entrevistados têm esperança de melhora.

Cerca de 800 pessoas responderam à pesquisa em oito capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Salvador e Recife. Ao todo, 22.953 pessoas foram entrevistadas.

Tsunami

Os participantes também deram a sua opinião sobre as condições econômicas da família e sobre as perspectivas para a economia mundial.

Ao responder à pergunta sobre bem-estar econômico familiar, 49% dos brasileiros se mostraram otimistas, contra 34% que temiam uma piora nas condições de vida da própria família.

O maior número de otimistas foi encontrado nos países em desenvolvimento da Ásia, embora a pesquisa tenha sido feita antes do tsunami, o fenômeno das ondas gigantes provocado por um terremoto no oceano Índico que atingiu boa parte da região.

Na Indonésia, onde se acredita que cerca de 170 mil pessoas morreram por causa do desastre, 52% dos entrevistados se mostravam otimistas. Na Índia, outro país afetado, 55% disseram esperar melhoras na situação econômica interna.

A tendência contrasta com a observada nos países mais ricos da região. No Japão apenas 19% dos entrevistados disseram ter boas perspectivas para o país. Na Coréia do Sul, o número foi ainda menor: 11%. O "tigre asiático" só perdeu para o Líbano, onde os otimistas são representados por uma minoria de 7%.

A julgar pelos resultados da pesquisa, o pessimismo também anda em alta na Europa Ocidental. Apenas 16% dos franceses disseram esperar que a situação econômica do país melhore. Entre os italianos, o grupo de otimistas se limita a 12% do total de entrevistados.

Posição em % de entrevistados otimistas
China: 1º
África do Sul: 2º
Austrália: 3º
Grã-Bretanha: 5º
Índia: 7º
Argentina: 9º
EUA: 10º
Brasil: 12º
Alemanha: 13º
Rússia: 14º
México: 16º
Japão: 17º
França: 19º
Itália: 20º
Líbano: 22º
Fonte: GlobeScan/Universidade de Maryland

Curiosamente na Alemanha, o número de otimistas (41%) foi um pouco maior do que o de pessimistas (35%), mesmo com a economia do país estagnada desde 1996.

Entre os europeus, os britânicos foram os mais otimistas, com 57% dos entrevistados projetando uma melhora para o próprio país.

EUA e América Latina

A maioria dos americanos entrevistados (58%) demonstrou otimismo em relação ao bem-estar econômico da sua família. Na avaliação sobre a economia nacional, no entanto, houve mais pessimistas (51%) do que otimistas (45%).

Na América Latina, os mais negativos na avaliação do seu futuro econômico foram os mexicanos, com apenas 28% dizendo que a situação deve melhorar para a família e 32% para o país.

Os chilenos se revelaram os mais otimistas da região, com 57% dos entrevistados fazendo uma avaliação positiva sobre o futuro do país.

Os pesquisadores também observaram tendências associadas com sexo, idade e instrução. No geral, quanto menos escolarizados, mais pessimistas os participantes se mostraram. Eles também notaram que jovens costumam ser mais otimistas e que as mulheres, mais pessimistas.

Em todos os países, a GlobeScan e a Universidade de Maryland se associaram a empresas locais. No caso do Brasil, foi a Market Analysis Brazil, baseada em Florianópolis.

*A colocação na pesquisa é baseada apenas na porcentagem de otimistas. O erro amostral do levantamento é de 2,5 a 4 pontos percentuais em todo o mundo. No Brasil, ele é de 3,5 pontos, com intervalo de confiança de 95%.

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