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Israelenses acompanham de perto eleições palestinas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os meios de comunicação em Israel acompanham com atenção o processo eleitoral nos territórios palestinos. Embora não seja a principal notícia dos jornais, a eleição palestina desperta o interesse dos israelenses pois pode ter influência sobre seu próprio futuro. Nos últimos dias o principal tema do noticiário em Israel tem um carater mais interno, mas também diretamente ligado ao processo de paz com os palestinos - o agravamento do confronto entre o governo e os colonos israelenses residentes em assentamentos nos territórios ocupados. Líderes dos colonos convocaram soldados a se recusarem a cumprir ordens de retirar os assentamentos da Faixa de Gaza e 34 oficiais publicaram um abaixo-assinado de recusa. O ministro da Defesa de Israel, Shaul Mofaz, acusou os oficiais de estarem provocando uma guerra civil. Segurança As autoridades israelenses anunciaram que durante 72 horas vão tomar medidas “para facilitar” as eleições palestinas. A partir deste sábado as tropas deverão ser retiradas das cidades palestinas e por 3 dias - durante o período das eleições e até o anúncio do vencedor – Israel vai permitir que policiais palestinos circulem armados nas cidades, para manter a ordem. O governo israelense também garantiu ao ex-presidente americano, Jimmy Carter, que está chefiando as equipes de observadores internacionais, que as tropas irão “facilitar” a passagem dos palestinos nos pontos de checagem militares nos territórios ocupados, para possibilitar o acesso dos eleitores as urnas. Depois de quatro anos de violência, muitos israelenses esperam que a eleição de Mahmoud Abbas ao cargo de presidente da Autoridade Palestina, considerada certa, traga uma melhora na situação. Este é o caso de Debora Sender, de 79 anos, professora residente no Kibutz (comunidade agrícola) Mizra. “Nasci na Argentina e moro em Israel há 40 anos, estou cansada das guerras e espero que o novo presidente palestino faça a paz e pare a violência. Mas não sei se ele será capaz de faze-lo, não sei se ele conseguirá controlar os terroristas do Hamas, que como os nossos colonos, são muito fanáticos”. Esperanças Já a escritora Yael Lotan, de 69 anos, não tem grandes esperanças. “Esta eleição palestina é um verdadeiro teatro do absurdo, meio trágico e meio grotesco. Um povo sob ocupação militar, completamente fragmentado, com muitos de seus líderes nas prisões israelenses, realiza eleições sob o controle armado das forças de ocupação", e completou. "E estas eleições ainda são chamadas de democráticas e tem o objetivo de supostamente promover a paz”. Segundo a escritora, Mahmoud Abbas estará completamente paralizado e não poderá fazer nada. “Não há nenhuma chance que a ocupação acabe e a eleição de Abbas não vai mudar nada. Os palestinos sabem disso, mas não tem outra alternativa e são praticamente obrigados a colaborar com esta farsa”, disse a escritora à BBC Brasil. A maioria dos israelenses tem esperanças de que as eleições melhore a situação entre palesinos e israelenses, mas ao mesmo tempo se mostram hesitantes sobre os resultados práticos, como expressou a contadora Hila Yoshi, de 42 anos. “Quero acreditar que depois da eleição palestina haja uma melhora na situação, não sei… Mahmoud Abbas parece ser moderado… Mas “com eles” não se pode saber”, disse ela. |
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