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Ataques em série ameaçam eleição no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Enquanto a atenção do mundo se concentrava no desastre da Ásia, a situação no Iraque se deteriorou tanto que a insurgência se desenvolveu em algo próximo a um estado de guerra aberta. O chefe do serviço de inteligência do Iraque, general Muhammad Shahwani, agora acredita que o número de insurgentes chegue a 200 mil, dos quais 40 mil seriam militantes radicais, e o restante, pessoas que dão apoio ativo a eles. Estes números não significam uma insurreição. Significam guerra. Apesar de apelos para que a eleição marcada para 30 de janeiro seja adiada, o primeiro-ministro interino, Iyad Allawi, insistiu nesta quarta-feira que a votação siga em frente. "Não será permitido que a violência, os terroristas e os foras-da-lei interrompam o processo político e destruam o país", disse ele. "As eleições vão desempenhar um grande papel para acalmar a situação e habilitar o próximo governo a enfrentar os desafios futuros de maneira decisiva." Dúvidas Mas questões têm sido levantadas sobre o que vai acontecer depois das eleições, se os militantes, majoritariamente islâmicos sunitas e nacionalistas, continuarem seus ataques. Se isso acontecer, eles e os prováveis vencedores da eleição – partidos representando a maioria xiita da população – poderiam entrar em conflito. Isso, por seu lado, poderia levar a uma possível guerra civil. Líderes xiitas fizeram apelos por negociações com representantes dos sunitas, na esperança de evitar tal cenário. Ninguém até o momento pediu de forma aberta a retirada das tropas americanas como um preço para encerrar pelo menos a parte nacionalista da insurreição. Mas a idéia poderia emergir em algum momento. As coisas seriam tornadas ainda piores se houver um baixo comparecimento às urnas nas áreas sunitas, pois, então, haveria, na melhor das hipóteses, apenas uma voz fraca para representar uma poderosa parcela da sociedade iraquiana e que está apoiando a luta atual. Adiamento Um importante agrupamento político sunita, o Partido Islâmico Iraquiano, está boicotando a votação. Seu idoso estadista, Adnan Pachachi, mais uma vez defendeu um adiamento da eleição, e algumas outras vozes foram acrescentadas a este coro. O ministro da Defesa, Hazem Shaalan, disse que pediu ao Egito para procurar os líderes sunitas e tentar convencê-los a participar. "Queremos dar aos nossos irmãos sunitas outra chance, mesmo que isso signifique o adiamento da eleição", disse ele. Em entrevista ao jornal Washington Post, o embaixador do Iraque na ONU, Samir al-Sumaidaie, propôs um adiamento de duas ou três semanas, e sugeriu que fossem reservadas algumas cadeiras no Parlamento aos sunitas, para serem preenchidas mais tarde. O poder dos insurgentes foi demonstrado mais uma vez na terça-feira, com o assassinato do governador de Bagdá, Al al-Haidri – o mais recente em uma série de ataques. Muitos deles visaram as forças de segurança iraquianas, que não têm a capacidade de reagir de forma efetiva. Um exemplo disso também ocorreu na terça-feira. Um caminhão carregado de explosivos e dirigido por um militante suicida – dos quais parece haver uma fonte inesgotável – explodiu em um prédio do Ministério do Interior iraquiano em Bagdá, matando oito agentes e dois civis. Estes agentes faziam parte de um grupo formado como uma unidade especial para combater insurgentes e ajudar a compensar a ineficiência da polícia regular e a guarda nacional. Em vez disso, eles viraram alvos. Perda de controle Até recentemente, os militares americanos vinham falando que havia 25 mil insurgentes no Iraque. Shahwani não só aumentou esta estimativa, mas colocou este número no contexto mais amplo de um apoio ativo a um movimento de guerrilha que, talvez, seja a imagem mais correta. Há 150 mil soldados americanos no Iraque. O analista Anthony Cordesman, do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington, comentou que "as estimativas iraquianas reconhecem a realidade de que a insurreição no Iraque conta com amplo apoio nas áreas sunitas, enquanto as americanas minimizam este apoio a ponto de se recusar a reconhecer a realidade". Já há meses Cordesman tem ressaltado a fraqueza das froças iraquianas, dizendo recentemente que elas estão basicamente despreparadas e são "enviadas para morrer". O nível dos ataques é agora tão intenso e sofisticado que não é uma surpresa que o ex-representante britânico na coalizão de ocupação, Jeremy Greenstock, disse que a insurreção "não tem remédio" e é "inerradicável" com a ação apenas de americanos e outras tropas não-iraquianas. "Depende dos iraquianos. Nós perdemos o controle primário", disse ele. Eventos recentes mostram que os iraquianos perderam este controle também. |
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