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Vitória de Sharon reforça plano de retirada de Gaza | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Após uma série de derrotas, o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, conseguiu recuperar o poder sobre seu partido, o Likud. Na quinta-feira, o comitê central do partido aprovou, por mais de 60% dos votos a favor, a abertura de negociações para a formação de um governo de coalizão com o Partido Trabalhista, o principal partido de oposição. Esse talvez seja o sinal de pelo menos uma pausa na crise que vem atingindo o governo de Israel nos últimos meses. Isso também vai ajudar Sharon a implementar seu polêmico plano de retirada unilateral de soldados e assentamentos judaicos da Faixa de Gaza. Com a decisão desta quinta, o Likud reverteu a medida tomada em agosto de banir o Partido Trabalhista da aliança governista. O veto aos trabalhistas fez parte da revolta contra a política de retirada unilateral de Sharon, da qual tanto o comitê central como os parlamentares do Likud discordavam. Muitas pessoas no partido são contra abrir mão das terras que Israel ocupou durante a guerra em 1967, especialmente se Israel não receber nada em troca. Pequena escolha Muitos partidários de Sharon ainda estão descontentes com seus planos de retirada de Gaza, mas sabem que governo está fraco agora. O Likud tem o controle de apenas um terço do Parlamento, após perder recentemente três integrantes da coalizão que tinha, por causa de disputas sobre a retirada dos territórios ocupados e questões ligadas ao orçamento. Com o seu governo lutando para sobreviver, Sharon disse ao Likud que a escolha estava entre os trabalhistas ou eleições antecipadas. O partido escolheu os trabalhistas, com a condição de que o primeiro-ministro também convidasse para a nova coalizão dois partidos ultra-ortodoxo, com o objetivo de contrabalançar a influência esquerdista no governo. Depois de convercer o partido, o primeiro-ministro deu início às negociações para compor a coalizão. Se as negociações forem concluídas da forma rápida como é previsto, Israel pode ter um governo relativamente estável até o final da retirada de Gaza, no ano que vem. Já os trabalhistas estão divididos entre o que fazer, especialmente se ficam no governo até o final do mandato de Ariel Sharon, em novembro de 2006. Medo da violência A coalizão em Israel vai aumentar a esperança do Ocidente e dos árabes em reviver o processo de paz, esperanças que resurgiram após a morte de Yasser Arafat. Israel e os Estados Unidos diziam que Arafat era um “obstáculo para a paz”. Certamente o Partido Trabalhalhista também espera que a retirada de Gaza possa se transformar em uma plataforma, sobre a qual se construa um processo de paz mais amplo. Até agora, no entanto, Ariel Sharon sustenta que seu plano é uma proposta unilateral que seria, no melhor dos casos, coordenada em conjunto com a nova liderança palestina. Qualquer retorno das negociações políticas, disse Sharon, depende de como a Autoridade Palestina terá habilidade e vontade para desarmar as milícias e impedir os ataques contra israelenses. Os adversários internos de Sharon (rebeldes do Likud e seus aliados que querem manter os assentamentos judaicos na Cisjordânia e em Gaza) provavelmente vão continuar a pressionar para que as eleições sejam antecipadas, como um artifício para atrasar o plano de retirada unilateral do primeiro-ministro. Os adversários devem também tentar sabotar a votação do gabinete marcada para março, quando está programada a decisão sobre os assentamentos. Com a nova coalizão, a campanha contra a retirada dos assentamentos sofreu um duro golpe. E, se os opositores da retirada concluírem que não existe forma de combater Ariel Sharon politicamente, há temores de que alguns deles optêm por ações mais extremadas, como a desobediência civil ou, no pior dos cenários, a violência. No passado, autoridades das áreas de segurança e política se mostraram preocupados com a hipótese de ersários radicais ao projeto usarem armas para tentar impedir a evacuação dos judeus ou mesmo tentar assassinar o primeiro-ministro. Em 1995, o ex-primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin foi assassinado por um estudante judeu de direita, após ter concordado em retirar as tropas israelenses das cidades palestinas da Cisjordânia. |
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