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Em feito inédito, Daiane e irmãos Hypólito disputam final da Copa de ginástica | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O berço do futebol vai abrir alas para a ginástica neste fim de semana. No que representa um feito inédito, três atletas brasileiros conseguiram classificação para a grande final da Copa do Mundo de Ginástica Artística, que será disputada sábado e domingo na cidade inglesa de Birmingham. Daiane dos Santos, Daniele e Diego Hypólito se apresentarão no National Indoor Arena com boas chances de medalha, especialmente no solo. A competição reúne os oito melhores ginastas de cada aparelho, levando em conta os rankings de 2003 e 2004. A Copa do Mundo, que teve 11 etapas distribuídas nos últimos dois anos, só perde em importância para as Olimpíadas e o Mundial. Até hoje, somente Daniele Hypólito havia conseguido disputar a grande final da Copa do Mundo, em 2002. Na ocasião, em Stuttgart (Alemanha), ela acabou em quarto lugar na trave. Desta vez, Daniele estará em ação também no solo e nas barras paralelas assimétricas. Daiane se apresenta somente no solo, enquanto Diego Hypólito corre por fora no salto sobre o cavalo e é um dos grandes favoritos no solo. Saldo histórico O país fechou o ciclo 2003-2004 da Copa do Mundo com um saldo histórico. Ao todo, os atletas brasileiros subiram ao pódio 26 vezes: 3 no ano passado e 23 neste ano. No solo, Daiane e Diego abocanharam 7 dos 12 ouros distribuídos nas etapas de 2004. Em Birmingham, o trio tem a chance de subir ao pódio de novo e fechar o ano com chave de ouro. Para isso, os três contam também com uma ajudinha dos adversários. Nada menos do que 11 medalhistas olímpicos não vão participar. No total, 16 atletas abriram mão de competir em solo inglês. O grande rival de Diego Hypólito no solo será o romeno Marian Dragulescu, prata em Atenas. Ele também é o número um do mundo no salto sobre o cavalo, prova que Diego só participará devido à desistência de dois atletas. Entre as mulheres, também vem da Romênia a ameaça a Daiane e Daniele. Medalhista de ouro no solo, na trave e por equipes, Catalina Ponor foi a ginasta mais consagrada em Atenas e é destacada pela organização do evento como a grande estrela em Birmingham. Ponor é a líder do ranking mundial e favorita no solo. Também pela ausência de outros nomes importantes, suas grandes rivais serão as duas brasileiras. Daiane vai apresentar na Inglaterra novamente sua coreografia ao som de Brasileirinho e deverá tentar o twist duplo esticado para chegar ao ouro. A brasileira foi desbancada por Ponor e perdeu a liderança do ranking depois de sofrer cirurgia no joelho direito, em junho. Os irmãos Hypólito competem no sábado, Daniele nas paralelas e Diego no solo. No domingo, eles entram em cena novamente, acompanhados de Daiane. A ginasta gaúcha compete no solo ao lado de Daniele, que tenta também medalha na trave. Diego se apresenta no salto sobre o cavalo no segundo dia de competições. Na final da Copa do Mundo, ao contrário do que acontece nos outros eventos de relevância internacional, não há fase classificatória. Os ginastas fazem apenas uma apresentação, e a nota recebida será considerada o resultado final. Saga A saga da ginástica brasileira começou há quatro anos, quando Daniele Hypólito conseguiu acabar na 20ª posição no individual geral nas Olimpíadas de Sydney. Durante aquele mesmo evento, começaram as negociações para trazer ao Brasil o técnico ucraniano Oleg Ostapenko, um dos melhores do mundo. Ostapenko chegou a Curitiba no ano seguinte e passou a comandar os treinamentos da equipe brasileira de ginástica. Sua chegada, além de representar um enorme ganho técnico para os atletas, trouxe também uma ajuda subjetiva. Treinados por um membro reconhecido do esporte, os brasileiros ganharam respeito por parte de outros ginastas e juízes. Na ginástica de alto nível, alguns décimos a mais na nota podem fazer toda a diferença. No mesmo ano em que Ostapenko assumiu o comando, Daniele Hypólito conseguiu a medalha de prata no Mundial de Ghent, na Bélgica, e a quarta posição no individual geral. No ano seguinte, começaram a entrar no caixa da Confederação Brasileira de Ginástica as verbas destinadas pela Lei Piva. Depois disso, a evolução foi rápida. No ano passado, Daiane dos Santos foi campeã mundial do solo em Anaheim (EUA). A conquista foi seguida de quatro ouros em etapas da Copa do Mundo, a liderança do ranking e a introdução do salto duplo twist esticado, que leva seu nome nos manuais da Federação Internacional. Neste ano, foi a vez de Diego Hypólito ganhar quatro ouros seguidos no solo em etapas da Copa. Ele não pôde tentar uma medalha olímpica porque a equipe brasileira masculina não se classificou para os Jogos, e ele não obteve vaga no individual geral. Sua irmã, Daniele, passou longe de medalha, mas acabou em uma inédita 12ª posição geral em Atenas. Já Daiane, com esperança de ouro, errou sua apresentação e ficou em quinto lugar – também um resultado histórico. Se a consagração total acabou não vindo em Atenas, pelo menos a ginástica foi um dos esportes brasileiros que mais evoluiu nos Jogos. Também em 2004, o país abrigou pela primeira vez em 25 anos uma etapa da Copa (no Rio de Janeiro). Além disso, os ginastas brasileiros estiveram presentes em todas as etapas deste ano, e seis deles conseguiram subir ao pódio pelo menos uma vez. |
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