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Unicef diz que Brasil precisa dobrar investimentos sociais | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A representante do Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier, disse que o país precisa dobrar os seus esforços em programas sociais para atingir as metas traçadas pela ONU. "Com certeza foi feito muito mas não foi o suficiente. Fizemos um cálculo junto a rede de direitos das crianças e a estimativa é de que para chegar às Metas de Milênio o orçamento do governo em projetos sociais precisa dobrar", diz Marie-Pierre Poirier. Ela destacou o fato de 24 milhões das cerca de 27,4 milhões de crianças brasileiras que estão abaixo da linha da pobreza viverem na região do semi-árido, no nordeste do país e na região amazônica. "Para se ter uma idéia, a situação no semi-árido é tão séria que 95% das crianças vivem em famílias pobres e a participação na escola é muito fraca", diz a representante do Unicef no Brasil. "A pobreza no Brasil tem a cara do semi-árido", comentou ainda a representante do Unicef. Marie-Pierre Poirier ressaltou que a organização anda preocupada também com o crescimento da violência entre crianças e jovens entre 15 e 24 anos, além do significativo número de casos de crianças contaminadas com o vírus HIV, através da transmissão vertical, a de mãe para filho. Governo Em Londres, a diretora-executiva do Unicef, Carol Bellamy, durante o lançamento do relatório o Estado das Crianças no Mundo 2005, responsabilizou os governos pela situação das crianças no mundo, citando, por exemplo, que uma em cada três crianças não têm acesso a água potável, condições sanitárias ou serviços básicos de saúde, entre outras privações. "Fundamentalmente, as estatíticas mostram uma falha de liderança. Já se passaram 15 anos desde que todas as nações da terra, exceto duas, assinaram a Convenção dos Direitos das Crianças, que definiu um padrão básico de saúde, proteção e infância decente para todos os seres humanos. " Carol Bellamy enfatizou que esforços foram feitos durante este período mas com a metade das crianças do mundo ainda sofrendo algum tipo de privação, "existe uma clara falha no cumprimento dos acordos firmados". A diretora-executiva do Unicef disse ainda que as guerras nunca foram boas para as crianças. Carol Bellamy voltou a dizer que a infância está em perigo devido a opção dos governantes. "A pobreza não persiste por causa de nada; as guerras não emergem de lugar nenhum; HIV não prolifera por sua própria vontade. Essas são nossas escolhas. Como nós usamos nossas rendas, como nós medimos o impacto das nossas decisões, quantas vezes nós consideramos as crianças em nossas escolhas. Estes são alguns momentos em que isso importa", concluiu. |
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