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Atualizado às: 30 de novembro, 2004 - 17h53 GMT (15h53 Brasília)
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Embaixador contra fome, Kaká diz que 'realizou seu sonho'

Kaká recebe o colete do diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos, John Powell
Kaká nunca passou fome mas conviveu com meninos carentes
O jogador de futebol Kaká, nomeado "embaixador contra a fome" do Programa Mundial da Alimentação da ONU, disse, nesta terça-feira, que essa foi a "realização de um sonho".

"Realizei o meu sonho e quero que outras crianças possam crescer e realizar o seu também", disse o brasileiro à BBC Brasil.

Kaká acha que a questão da fome é grande, principalmente, na África, mas tem consciência de que o problema está presente também em toda a América Latina.

"Nas eliminatórias, quando jogamos em países mais pobres vemos esse problema bem de perto, era assim também nas excursões do São Paulo pelo país", lembrou.

Imagem

Pela primeira vez, o cargo de "embaixador contra a fome" é oferecido a uma personalidade tão jovem. O time da ONU inclui outros quatro atletas, entre eles, o maratonista queniano Paul Tergat.

"Decidi aceitar o convite depois de saber que 800 milhões de pessoas passam fome no mundo, mas o pior foi ser informado de que a cada cinco segundos uma criança morre porque não tem o que comer. Enquanto digo isso, passam-se dez, quinze segundos e duas, três crianças já morreram", disse o meia do Milan.

Kaká nunca passou fome mas conviveu de perto com alguns companheiros das divisões de base do São Paulo que eram meninos carentes.

Segundo seu pai e agente, Bosco Izecson, Kaká "não vai ficar somente no discurso da imagem, vai colaborar e ajudar diretamente".

"Nós sempre procuramos de alguma forma contribuir. Sempre tivemos em mente, não somente a família, mas o Kaká também, de poder um dia estar participando de um programa de maior amplitude que pudesse usar o nosso trabalho em favor do próximo", disse Izecson.

Angola

No Estádio de San Siro, Kaká recebeu das mãos do diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos, John Powell, um colete com o seu nome estampado, um aviãozinho de madeira e uma foto do autor do brinquedo, um menino sobrevivente da guerra civil de Angola, país escolhido por Kaká para fazer uma visita.

"Vou agradecer a foto e o avião. Vamos trocar presentes. Vou levar alimentos e mais aquilo que eu puder carregar. Não somente comida mas o carinho, um abraço, são essas coisas que fazem falta", disse o jogador.

"Ele é um ser humano maravilhoso, de nobres ideais, com um grande poder de comunicação e vai conhecer de perto um dos nossos campos operativos, onde distribuímos alimentos principalmente às crianças e mulheres", comentou Powell.

O cargo de "embaixador contra a fome" é um incentivo a mais para Kaká voltar a balançar a rede no campeonato italiano com mais frequência.

"Encontrei os gols. Estava todo mundo comentando 'o Kaká não faz gol, o Kaká não faz gol', muitas vezes eu jogava bem mas não marcava. Temos que nos acostumar a isso, futebol é assim, agora as coisas estão caminhando, fiz os gols, isso tranquiliza os torcedores e volto a jogar."

"Tantas coisas tive que aprender porque os adversários já sabiam o que eu ia fazer. Aqui eles estudam muito, mas não vou mudar a minha forma de jogar, tenho é que mudar algumas coisas e encontrar soluções", comentou Kaká sobre a sua atual fase.

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