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Crise da CIA se alimenta de reformas e política | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As notícias sobre o estado de ebulição em que vive a CIA atualmente se concentram na figura de Porter Goss, o novo diretor do serviço secreto americano. Um ex-congressista do Partido Republicano, o mesmo do presidente George W. Bush, Goss foi confirmado no cargo um pouco antes da eleição presidencial e chegou ao QG da CIA com uma agenda clara. Em sua opinião, o serviço secreto precisa mudar depois de uma série de erros, mais recentemente envolvendo as supostas armas de destruição em massa do Iraque. Mas seus planos aparentemente toparam com resistência por parte de altos oficiais da entidade que estão lá há bastante tempo. Alguns deles já abandonaram o barco, e outros ameaçaram seguir o mesmo caminho. Espionagem Não ná dúvidas de que Goss é um homem de opiniões fortes. Quando eu o entrevistei, algum tempo atrás, antes que ele fosse indicado para dirigir a CIA, Goss deixou claro que a agência havia fracassado em sua “missão central” – a espionagem. “Repentinamente, nós nos encontramos desinvestindo – não apenas deixando de investir – em nossa principal atividade de coletar infomações”, disse Goss. Além de investimentos, ele disse que o serviço de recrutamento de espiões da CIA necessitava levar uma sacolejada, assim como os serviços de coleta de informações como um todo. “Não se trata só de indivíduos. Algumas mudanças bem sérias são necessárias.” Os aliados de Goss dizem que as tensões atuais só vieram à tona devido à resistência de uma grande burocracia que não quer largar o osso e não quer que alguém lhe diga que é preciso melhorar seu desempenho. Outros dizem que a decisão de Goss de confiar em um pequeno grupo de auxiliares que trouxe o Congresso não o está tornando nada popular. Enquadramento Mas a questão real é se há uma agenda para promover na CIA algo que vá além de uma reforma interna e procure enquadrá-la politicamente. Algumas pessoas dentro e fora da agência acham que este pode bem ser o caso. A preocupação é que Goss vai se valer das críticas que a CIA vem recebendo sobre os atentados de 11 de setembro de 2001 e o Iraque para colocá-la na linha. Outros analistas dizem que as acusações de politização estão sendo usadas para bloquear reformas. O que parece certo é que a direita americana vem se tornando cada vez mais crítica com relação à CIA, e há quem a acuse de deixar vazar informações como uma peneira, a fim de minar o governo Bush. Notícias chegaram ao conhecimento da imprensa mostrando que a CIA teria previsto problemas como a insurreição no Iraque após a deposição de Saddam Hussein, mas que tais análises teriam sido ignoradas pelo governo porque não se encaixavam em sua agenda. Um colunista de jornal até escreveu que estava sendo passada a impressão de que o serviço secreto estava fazendo campanha para o democrata John Kerry – e que isso é inaceitável para uma entidade que faz parte do governo americano e deveria se manter fora da política. |
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