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Lula decepcionou e não é imbatível em 2006, diz FHC | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decepcionou, não fez "nada novo" na área social e "não é imbatível" nas eleições presidenciais de 2006. Em Londres nesta segunda-feira para uma palestra na prestigiada London School of Economics sobre a ONU e a sociedade civil, o ex-presidente criticou ainda a "falta de inovação" do governo Lula e o aumento do número de cargos de confiança. Questionado se Lula deverá ser reeleito em 2006, Fernando Henrique Cardoso disse: "Não há ninguém imbatível na vida. Isso é conversa. Vamos ver como ele vai estar daqui a dois anos. Ele tem uma série de características positivas, é um líder popular. Agora, também se achava que a presença dele em São Paulo era muito forte e que a candidata dele ganharia a eleição. E perdeu". E continuou: "Isso não se pode saber de antemão. Ainda falta muito tempo. Depende do desempenho do governo nas áreas sociais, na administração. Tem muitos fatores, mas certamente ele tem chances". Críticas Fernando Henrique Cardoso não poupou críticas a Lula e ao PT até quando fazia elogios à política econômica do governo. "Na parte econômica, ele já mostrou uma responsabilidade grande em toda a área orçamentária, de evitar que haja inflação. Ele afastou os fantasmas que tinham sido criados pelo próprio PT nos últimos 20 anos. Ele mesmo ajudou a criar esse fantasma, mas o exorcizou. Isso é uma coisa positiva." Ainda em conversa com a imprensa brasileira após a palestra, FHC disse que a administração de Lula o está decepcionando em algumas áreas. "Se, nos últimos 40 dias em que estou fora do Brasil, não houve milagres na parte social, ele me decepcionou, porque não vi nada novo. Na parte gerencial também parece que está um pouco aquém do que eu esperava. Sou amigo dele e sempre esperei que ele desse mais", comentou o ex-presidente. "Eu acho que não houve inovação, programas novos na área social. Depois de tantas críticas, pensei que ele viesse com uma série de programas novos. Quando você vê o gasto social foi bastante modesto", disse Fernando Henrique. O ex-presidente criticou ainda o aumento do número de cargos de confiança durante a administração do PT. "Parece que houve uma politização da máquina pública. Muita gente ligada ao partido do governo e aliados. Houve a criação de muitos cargos de confiança, mais 40 mil cargos de confiança. Eu não acredito que isso seja bom do ponto de vista do republicanismo, onde você deve fazer força para que haja gente com carreira, profissional." Eleições As recentes eleições municipais mostraram que "não há hegemonia de um partido", o que, para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foi um fator positivo, mostrando que existem "muitas forças políticas atuantes". "As eleições foram bastantes claras nos seus resultados, há uma pluralidade grande no Brasil. Quando você olha o número de prefeituras, o PMDB fez mil, o PSDB fez 850, o PFL 750, o PT fez 400, são vários partidos." "Se você olha para a importância das prefeituras, o PT e o PSDB tiveram talvez o desempenho mais expressivo, mas o PFL fez o Rio de Janeiro." FHC disse que não é candidato em 2006, mas não quis arriscar o nome que o PSDB vai escolher para disputar a Presidência. Para ele, existem várias opções dentro do partido, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, entre outros. China A polêmica decisão do governo brasileiro de reconhecer a China como economia de mercado foi apoiada pelo ex-presidente. "É reconhecer a realidade. A China hoje é uma economia de mercado. Os próprios chineses se colocam nessa posição, os investimentos privados aumentam enormemente na China. É uma decisão de bom senso. É uma economia de mercado." Fernando Henrique Cardoso é atualmente o presidente de um painel formado por 12 pessoas de diferentes países que elaborou um relatório sobre formas de melhorar a interação entre as Nações Unidas e a sociedade civil. No momento, integrantes do painel estão expondo o documento em palestras. Durante a palestra formada basicamente por professores e alunos da universidade, FHC respondeu a perguntas sobre o documento e concordou com a platéia quando uma pessoa disse que o FMI não se importava com as pessoas. "O FMI não se importa nem com os governos quanto mais com as pessoas." |
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