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Palestina sem Arafat: Perguntas e Respostas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Com a morte do líder palestino Yasser Arafat, surgem questões sobre sua sucessão e o futuro do movimento palestino. Arafat era realmente importante? Ele era uma figura isolada nos últimos anos. Estava confinado pelo Exército israelense em uma espécie de prisão domiciliar desde 2001. Tanto Israel quanto os Estados Unidos se recusavam a negociar com ele. A Autoridade Palestina, liderada por ele, era considerada corrupta e incompetente por grande parte dos palestinos. Apesar disso, Arafat era considerado o mais popular dos políticos palestinos, o símbolo da causa de seu povo. Ele era o único líder com autoridade para negociar ou assinar um tratado em nome de todos os palestinos. Ironicamente, a exigência israelense e americana de que os palestinos substituíssem seu líder parece ter ajudado Arafat. Existe um sucessor claro? Não existe um nome óbvio para estar à frente da Autoridade Palestina nem da Organização para a Liberação da Palestina, a entidade que engloba os diversos grupos que integram o movimento nacional palestino. Ele não apontou um successor, talvez por temer que o herdeiro o traísse. Segundo as leis da Autoridade Palestina, o porta-voz da Assembleia Legislativa Palestina, Rawhi Fattuh, assume a Presidência por 60 dias até que um novo presidente seja eleito. Isso seria, entretanto, uma tecnicalidade, já que Fattuh não tem poder real. A lei diz que um período de 40 dias de luto deve ser observado antes que a política seja reiniciada. Quais são os candidatos? Parte do problema na Palestina é que existem diversos centros de poder nos territórios ocupados. Um é composto pela velha geração de líderes como o secretário-geral da OLP, Mahmoud Abbas, um aliado próximo de Arafat. Outro centro de poder é composto por líderes locais, como o antigo chefe de segurança Mohammed Dahlan e o líder da intifada Marwan Barghouti, atualmente em uma prisão israelense. A disputa pelo poder será caótica? Isso é possível. Em julho, aconteceram combates abertos entre diferentes facções palestinas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, com uma série de seqüestros e tiroteios. Os incidentes foram vistos como um prelúdio da briga pelo poder entre a “velha guarda” da Autoridade Palestina liderada por Arafat e a geração mais nova. E o Hamas e outros grupos militantes? Se acontecer uma disputa caótica e violenta pelo poder, o maior beneficiado pode ser o Hamas, o grupo militante islâmico que domina a Faixa de Gaza. O grupo é altamente unificado e organizado. No passado, tanto o Hamas quanto a Jihad Islâmica evitavam atacar diretamente Arafat. Eles não devem adotar a mesma postura em relação a outro líder. Qual a posição de Israel? Muitos israelenses consideravam Arafat como um terrorista inveterado e um parceiro pouco confiável de negociações. A direita israelense já tinha proposto a sua expulsão dos territórios ocupados ou o seu assassinato. O premiê israelense Ariel Sharon parecia travar uma batalha pessoal com Arafat. Uma situação caótica nos territorios ocupados, com uma eventual radicalização da política palestina, pode não ser do interesse isralense. A morte de Arafat pode atrasar o plano de Sharon de sair da Faixa de Gaza. Se a Autoridade Palestina se desintegrar, existe apenas o Hamas no comando da região. Se a situação se acertar rapidamente com o surgimento de uma nova liderança, o argumento israelense de que não existe um parceiro de negociações palestinos se evaporaria. |
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