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Eleições reforçam inversão de papéis entre PT e PFL | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A eleição municipal deste ano entra para a história como a primeira do PT no governo federal e a primeira do PFL como oposição ao poder central. Segundo especialistas, essa inversão de papéis fez com que os petistas assumissem práticas que antes criticavam e com que pefelistas criticassem políticas apoiadas pelo partido quando estava no governo, principalmente na área econômica. No ano passado, "com a recessão, tivemos mais de 1 milhão de dempregados, quando poderíamos estar crescendo como os outros países emergentes", ataca o senador catarinense Jorge Bornhausen, presidente do PFL, num discurso que lembra as críticas do PT ao governo Fernando Henrique Cardoso. Ele reclama também "da compra de um avião luxuoso pelo presidente e do não cumprimento da promessa de dobrar o salário mínimo". Diluição "A tática está sendo de marcar terreno e formar um campo de oposição. Essa discussão entre esquerda, direita e centro está muito diluída", avalia a cientista política Maria do Socorro Braga, professora de sistemas partidários e eleitorais da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ela, a diferença ideológica entre os partidos está diminuindo. O antagonismo hoje seria entre "oposição" e "situação". No governo, o PT mantém a política econômica de juros altos e rigidez fiscal, mas também, segundo críticos, se vale de uma prática muito criticada pelo partido na oposição - a de privilegiar prefeituras controladas pela base aliada no repasse de verbas do governo federal. "Aqui no Rio Grande do Sul, durante o governo Fernando Henrique, as prefeituras da base aliada ficavam com 82% dos repasses. Hoje, os 10 municípios que mais recebem transferências no Estado são do PT", afirma Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios e prefeito de Mariana Pimentel (RS). Segundo a entidade, esse problema ocorre porque a média de arrecadação própria dos municípios brasileiros é de apenas 4,5%, contra 16% da média mundial. “Os recursos têm que ir para onde o cidadão precisa. A arrecadação acontece no município, mas ele fica refém, dependendo de mesada da União”, protesta Ziulkoski. “Todos se utilizam da máquina governamental local ou nacional para defender suas campanhas e sua continuidade. Talvez precisemos de novas regras que mantenham as máquinas governamentais afastadas nesses momentos de eleições", diz Maria do Socorro Braga. Máquina eleitoral A acusação de uso da máquina nas eleições é refutada pela vice-presidente nacional do PT, Monica Valente. “Essa era a lógica deles, não a do PT”, afirma Monica. Para ela, o fato de ser governo federal não privilegia o partido nas eleições municipais. “Também quando estávamos na oposição, fomos construindo vitórias e as campanhas foram tão difíceis quanto está sendo esta”, diz a vice-presidente do PT. Adaptação O crescimento gradual do partido até a tomada do poder e a consolidação como o primeiro em votos nas eleições municipais deste ano tornaram o PT mais adaptável às mudanças. “Está sendo mais fácil para o PT ser governo, porque passou muito tempo se preparando, inclusive ganhando eleições para prefeito e governador”, explica Vamireh Chacon, cientista político da Universidade de Brasília (Unb). “O PFL vai ter que se acostumar a ser e fazer oposição”, acrescenta Chacon. Desafio Disputar eleições sem o uso do aparelho do Estado é um desafio reconhecido pelo presidente do PFL. “Quando está no governo, normalmente o partido recebe estudos e informações do próprio governo. Na oposição, tem que ter um esforço maior, um assessoramento melhor e uma equipe mais preparada. É o que estamos fazendo”, afirma Bornhausen. Para quem considera o PFL o grande perdedor dessas eleições – com 11 milhões de votos, contra 12 milhões em 2000 –, o presidente do partido responde comemorando a reeleição de César Maia no Rio de Janeiro. Além disso, diz que o PFL teve o maior índice de aproveitamento entre todos os partidos, com 790 prefeitos eleitos em um total de 1.759 candidatos, o que representa uma taxa d sucesso de 44,91%. Em número de votos, o PT foi quem mais cresceu, passando de 12 milhões para 16 milhões e dobrando o número de prefeituras conquistadas. Entre as cidades que não terão segundo turno, o partido conquistou 400 das 1.923 prefeituras que disputou - um aproveitamento de 20,8%. Além disso, passou para o segundo turno em 24 municípios de maior porte. |
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