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Cartilha da Igreja condena união gay e guerra preventiva | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Vaticano apresentou nesta segunda-feira a cartilha da Doutrina Social da Igreja, documento que pretende ser um código de conduta para os católicos e uma base de diálogo com as outras religiões. É a primeira vez que a Igreja lança uma iniciativa como esta – uma espécie de manual, dividido por argumentos, que define e reafirma a posição da Igreja em vários aspectos da vida social: família, política, economia, ambiente, trabalho, comunidade internacional. O documento desaconselha o reconhecimento legal de homens e mulheres que vivem juntos sem se casar e os casamentos de pessoas do mesmo sexo. Além disso, defende a reforma agrária, alerta para os riscos da globalização e condena a doutrina dos ataques preventivos, defendida pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. 500 páginas O documento foi preparado pelo Pontifício Conselho de Justiça e Paz. Tem quase 500 páginas, levou seis anos para ficar pronto e traz uma síntese de documentos e declarações do papa, além de trechos do Evangelho. "A ação militar preventiva, sem provas evidentes de uma verdadeira ameaça de agressão, desperta graves interrogações sobre o perfil moral e jurídico", diz o documento na parte relativa às relações entre países. "Somente os organismos competentes da comunidade internacional são autorizados a legitimar ações bélicas em defesa da paz mundial." Quanto à globalização, a cartilha afirma que ela "não deve ser um novo tipo de colonialismo". No que diz respeito à economia, o documento destaca a importância de salários justos, "fruto legítimo do trabalho", e defende o direito de greve. Considera ainda "imoral qualquer forma indébita de acumulação de riqueza" e define o apego ao dinheiro como "a raiz de todos os males". E expõe a posição da Igreja a favor da redistribuição da terra, definida como "uma obrigação moral". Família No capítulo dedicado à família, o texto constata um aumento progressivo no número de casais que vivem em uniões não oficializadas. Mas condena essas relações, que, segundo o Vaticano, "se baseiam numa falsa concepção da liberdade". Em seguida, desaconselha o reconhecimento legal, que é negado também para casais do mesmo sexo. "Respeito pelos homossexuais não significa legitimação de comportamentos não conformes às leis morais, nem o reconhecimento de um direito ao matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, com a conseqüente equiparação de suas uniões à família." A mulher conquista, aos olhos do Vaticano, o direito de fazer carreira, mas sob a condição de não descuidar de marido e filhos. A doutrina social da igreja defende os impostos, "cruciais para o desenvolvimento da solidariedade", e afirma que o Estado deve garantir previdência e proteção social, com atenção especial aos mais fracos. Na introdução, o cardeal Renato Martino, presidente do Conselho de Justiça e Paz, diz que o documento oferece um quadro completo das linhas fundamentais da doutrina e do ensinamento social católicos, "um ato de serviço aos homens e mulheres do nosso tempo". Mas o texto denuncia que os católicos são vítimas de discriminação nas sociedades democráticas. Na visão da Igreja, "um laicismo intolerante hostiliza qualquer forma de relevância política e cultural da fé, tentando desqualificar a atividade social e política dos cristãos". |
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